Greve dos Correios mantém mínimo de 80% dos funcionários

Decisão do TST vale durante paralisação nacional da categoria

15 SET 2026Por Assessoria 07h42
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O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou que os Correios mantenham em atividade pelo menos 80% dos funcionários de cada unidade enquanto durar a greve nacional da categoria. A liminar foi concedida no sábado (12), e a paralisação continua sem previsão de término.

A determinação alcança unidades de atendimento, tratamento, transporte e distribuição de encomendas, além dos setores administrativos e de suporte necessários para manter os serviços postais em funcionamento.

Adesão em Mato Grosso do Sul ainda não foi contabilizada

O Sindicato dos Trabalhadores nos Correios, Telégrafos e Similares de Mato Grosso do Sul (Sintect/MS) informou que a greve continua no Estado. Até o momento, não há balanço público sobre quantos funcionários e quantas agências aderiram à paralisação em Mato Grosso do Sul.

Sem esses números, não é possível verificar se o percentual mínimo de 80% determinado pelo TST está sendo cumprido em cada unidade no Estado.

Os Correios informam manter 193 unidades de atendimento em Mato Grosso do Sul. O número inclui agências convencionais e canais alternativos de atendimento.

A liminar do TST estabelece um percentual mínimo de trabalhadores em atividade por unidade e não determina simplesmente uma quantidade mínima de agências abertas.

Greve começou na noite de quinta-feira

A mobilização nacional começou depois que os trabalhadores rejeitaram a proposta apresentada pela empresa para o acordo coletivo 2026/2027. As assembleias foram realizadas na quinta-feira (10), e a paralisação teve início às 22h no horário de Brasília, equivalente a 21h em Mato Grosso do Sul.

A Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (Findect) informou que 35 assembleias aprovaram a greve por tempo indeterminado.

O número corresponde às assembleias realizadas e não à quantidade de sindicatos. A categoria possui 36 sindicatos no país, enquanto a federação representa seis deles, entre os quais está o sindicato de Mato Grosso do Sul.

Julgamento está marcado para o dia 21

Na sexta-feira (11), os Correios protocolaram o dissídio coletivo no TST e pediram que a paralisação seja declarada abusiva. A legalidade da greve e as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores ainda serão analisadas pelo tribunal.

O julgamento está marcado para segunda-feira (21), às 13h30 no horário de Brasília, o que corresponde a 12h30 em Mato Grosso do Sul.

Empresa e trabalhadores ainda podem chegar a um acordo antes da sessão. Caso isso ocorra, a greve poderá ser encerrada sem a necessidade de uma decisão judicial sobre o conflito.

Plano de saúde é principal ponto de divergência

O principal ponto de divergência nas negociações envolve o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes.

Os Correios afirmam que a proposta apresentada preservava 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo anterior, o equivalente a 97,5% do texto, além de prever reajuste de salários e benefícios pelo INPC.

As duas cláusulas restantes estão relacionadas ao plano de saúde e se tornaram o principal obstáculo para um acordo entre a empresa e os trabalhadores.

Enquanto o impasse permanece, os Correios mantêm um plano de contingência. Funcionários administrativos estão sendo deslocados para funções operacionais, veículos são remanejados e mutirões estão sendo realizados.

Segundo a empresa, as agências continuam funcionando durante a paralisação.

Prejuízo da estatal chega a R$ 5,55 bilhões no semestre

A greve ocorre em meio a uma deterioração das contas dos Correios. A estatal encerrou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 5,55 bilhões, resultado 30,36% pior que o registrado no mesmo período de 2025.

Somente no segundo trimestre, o prejuízo foi de R$ 2,39 bilhões. Com isso, aproximadamente R$ 3,16 bilhões foram registrados nos três primeiros meses do ano.

Em 2025, os Correios tiveram prejuízo anual de R$ 8,5 bilhões, mais de três vezes o resultado negativo de R$ 2,6 bilhões registrado em 2024.

Na semana passada, a empresa também formalizou um pedido de empréstimo de R$ 7 bilhões a bancos privados. A operação depende do aval do Tesouro Nacional como garantidor e ocorre menos de um ano após a contratação de outros R$ 12 bilhões, em dezembro de 2025.

O que muda para quem aguarda encomendas

A decisão do TST estabelece que pelo menos 80% dos funcionários permaneçam trabalhando em cada unidade durante a greve.

A medida vale para setores de atendimento, tratamento, transporte e distribuição de encomendas, além das áreas administrativas e de suporte.

Em Mato Grosso do Sul, a greve continua, segundo o Sintect/MS, mas não há balanço divulgado sobre a adesão dos trabalhadores por unidade.

A decisão judicial não encerra a greve, não define se a paralisação é legal e também não garante que os prazos normais de entrega sejam mantidos.

O julgamento do dissídio coletivo está previsto para segunda-feira (21), às 12h30 no horário de Mato Grosso do Sul.

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