Uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul apura um suposto esquema de fraudes em contratos públicos que, entre 2018 e 2026, movimentaram mais de R$ 100 milhões em Três Lagoas. As suspeitas envolvem pagamentos por serviços que não teriam sido executados, favorecimento em licitações e desvio de recursos públicos. Empresários e servidores municipais são investigados por possível participação no esquema.
As apurações indicam que contratos para locação de máquinas, caminhões, veículos e equipamentos pesados apresentavam irregularidades desde a contratação até a fiscalização dos serviços. Segundo o Ministério Público, há indícios de que parte dos pagamentos não correspondia ao trabalho efetivamente realizado. A investigação também aponta possíveis crimes de corrupção, peculato, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Os investigadores sustentam que empresas contratadas pela Prefeitura de Três Lagoas atuavam de forma integrada, apesar de possuírem registros distintos. Documentos e depoimentos indicam compartilhamento de estrutura, equipamentos e pessoal. Para o Ministério Público, esses elementos reforçam a hipótese de que o grupo funcionava como uma única organização empresarial.
Outro ponto investigado é a capacidade operacional das empresas para executar contratos milionários. Conforme as apurações, algumas delas não apresentaram documentação que comprovasse estrutura técnica e financeira compatível com os serviços assumidos. Também há suspeitas de terceirização irregular, prática proibida pelos contratos.
A fiscalização da execução dos serviços também é questionada. Relatórios técnicos apontam inconsistências em registros de horas trabalhadas, ausência de controle sobre os equipamentos utilizados e documentação insuficiente para comprovar a realização dos serviços. Segundo o Ministério Público, essas falhas dificultam verificar se os pagamentos efetuados pelo município correspondiam às atividades executadas.
As investigações tiveram origem em desdobramentos da Operação Cascalho de Areia, que apurou supostas fraudes em contratos semelhantes envolvendo a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Campo Grande. Durante esse trabalho, promotores identificaram que empresas investigadas naquele caso também haviam firmado contratos com a Prefeitura de Três Lagoas.
Com base nas evidências reunidas, a Justiça autorizou o cumprimento de 19 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (6). As ordens judiciais foram executadas em Três Lagoas, Campo Grande, Terenos e Castilho (SP), incluindo endereços ligados a investigados e empresas citadas na apuração. Um dos alvos foi a Secretaria Municipal de Infraestrutura de Três Lagoas, conforme apurado pelo g1.
O procedimento é conduzido pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pela 7ª Promotoria de Justiça de Três Lagoas. A investigação segue em andamento e busca esclarecer a extensão das irregularidades e a eventual participação de outros envolvidos.

Máquinas trabalhando em uma das ruas de Três LagoasFoto: Wander Di Oliveira
Segurança públicaCoronel David amplia ações de proteção às mulheres e combate à violência em MS
CLIMA EUROPEU NO PANAGranizo cobre assentamento de branco em menos de 15 minutos e surpreende moradores
InfraestruturaPrefeitura inicia pavimentação nas Vilas Nogueira e Aimoré
AGENDA OFICIALNesta sexta, Eduardo Riedel cumpre agenda oficial em Brasília