O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para apurar a regularidade dos serviços prestados por uma clínica especializada em diálise e nefrologia, em Campo Grande, após graves intercorrências registradas durante sessões de hemodiálise em 2026. A investigação busca esclarecer se a unidade cumpria as normas sanitárias e se eventuais irregularidades contribuíram para os danos sofridos pelos pacientes, incluindo um óbito e casos que exigiram internação hospitalar.
O procedimento foi instaurado pelo promotor de Justiça Marcos Roberto Dietz, titular da 76ª Promotoria de Justiça da Capital, após análise das informações reunidas em investigação preliminar iniciada em maio deste ano. O caso ganhou repercussão diante das suspeitas de falhas em protocolos assistenciais e sanitários durante os atendimentos.
Fiscalização encontrou 12 irregularidades
Após tomar conhecimento dos fatos, o MPMS solicitou informações aos órgãos competentes e acompanhou as inspeções realizadas pela Vigilância Sanitária Estadual na clínica.
As fiscalizações identificaram 12 não conformidades relacionadas à segurança dos pacientes, higienização de equipamentos, controle da qualidade da água utilizada nos procedimentos, registros assistenciais e comunicação de eventos adversos.
Diante das irregularidades, foi lavrado auto de infração e instaurado um processo administrativo sanitário. A Vigilância Sanitária manteve a autuação, aplicou penalidade administrativa e destacou que a correção das falhas não afasta a obrigação permanente de cumprir as normas de proteção à saúde.
MP requisita documentos
Com a abertura do inquérito civil, o Ministério Público pretende verificar se a clínica atende integralmente aos requisitos exigidos para a prestação dos serviços de diálise, avaliar a efetividade das medidas corretivas adotadas e identificar se ainda existem riscos aos pacientes.
Entre as primeiras providências, o MPMS encaminhou ofícios à clínica, à Vigilância Sanitária Estadual e à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande.
A clínica terá prazo de 20 dias para apresentar documentos que comprovem as medidas adotadas para sanar cada uma das 12 irregularidades apontadas pelos fiscais.
Já a Vigilância Sanitária deverá informar se todas as exigências foram cumpridas, se realizou novas inspeções na unidade e qual foi o desfecho do processo administrativo. A Polícia Civil também deverá atualizar o andamento do inquérito policial que apura o caso.
O inquérito civil foi instaurado em 29 de julho e teve sua abertura publicada oficialmente no dia 30. O procedimento seguirá em tramitação até a conclusão das investigações e eventual adoção das medidas cabíveis pelo Ministério Público.

Promotoria apura possível relação entre irregularidades sanitárias e graves intercorrências registradas durante sessões de hemodiálise em 2026 Foto: Reprodução
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