Mato Grosso do Sul liderou a procura proporcional por canetas emagrecedoras sem registro sanitário na internet e concentra cerca de 60% das apreensões desses medicamentos realizadas pela Polícia Federal no país. Os dados fazem parte de um levantamento, feito pela Folha de São Paulo, que analisou buscas por produtos vendidos no mercado clandestino. A pesquisa considerou o período entre maio de 2025 e maio de 2026.
O Estado registrou 88,9 pesquisas por milhão de habitantes relacionadas a cinco produtos sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O índice ficou acima de Mato Grosso, com 48,8 buscas por milhão, e do Distrito Federal, com 39. Os produtos analisados foram TG, Tirzec, Lipoless, Lipoland e Retatrutida.
A investigação aponta que o interesse por esses medicamentos cresceu de forma contínua entre junho de 2025 e janeiro deste ano. Nesse período, a média de aumento das buscas chegou a 6,29% por semana. O levantamento não indica quantas pesquisas resultaram em compras, mas aponta a influência da circulação de informações em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Além da procura digital, Mato Grosso do Sul aparece como uma das principais portas de entrada de medicamentos irregulares vindos do Paraguai. Segundo os dados analisados, o Estado concentra aproximadamente 60% das apreensões feitas pela Polícia Federal relacionadas a produtos sem autorização sanitária.
A Receita Federal apreendeu cerca de 2,7 mil unidades de canetas emagrecedoras em 2024. O volume aumentou para aproximadamente 32 mil unidades em 2025. Nos dois primeiros meses deste ano, as retenções chegaram a 25 mil produtos.
O valor acumulado das apreensões desde 2024 alcançou cerca de R$ 51 milhões. Os medicamentos foram interceptados em diferentes pontos do país durante ações de fiscalização.
A Anvisa alerta que produtos sem registro não possuem garantia sobre composição, concentração, qualidade ou condições de armazenamento. A agência também informa que embalagens podem indicar substâncias diferentes das encontradas no produto.
Entre os medicamentos analisados está a retatrutida, que ainda está em fase de pesquisa clínica e não possui aprovação para uso terapêutico. A Anvisa também acompanha relatos de reações adversas associados ao consumo de produtos sem autorização.
Medicamentos aprovados no Brasil, como os que utilizam semaglutida e tirzepatida, possuem registro sanitário e passam por avaliações de segurança. Os produtos clandestinos citados no levantamento não possuem autorização para comercialização no país.

Caneta emagrecedoras foram incineradas em DouradosFoto: Victor Arguelho/Arquivo
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