Mato Grosso do Sul deve ter chuva acima da média histórica entre outubro e dezembro, principalmente nas regiões central e sul do Estado. A previsão contrasta com áreas de Mato Grosso, Goiás e Distrito Federal, onde a tendência é de precipitação abaixo da média no mesmo período. No Alto Rio Paraguai, a expectativa de vazões superiores à média aumenta o risco de cheias no Pantanal.
Os dados estão na quarta edição do Painel El Niño 2026-2027, divulgado por órgãos federais de monitoramento climático. O boletim aponta que o fenômeno, confirmado em junho, segue em intensificação e deve permanecer pelo menos até o início de 2027. Para o último trimestre deste ano, a probabilidade de um El Niño muito forte é superior a 95%.
Em Mato Grosso do Sul, a previsão do Censipam indica maior volume de chuva no centro e no sul durante o trimestre. Em outras áreas do Estado, incluindo setores do Pantanal, os acumulados devem ficar próximos da média histórica. A distribuição da chuva, portanto, não será uniforme em todo o território sul-mato-grossense.
Apesar da previsão de mais chuva, as temperaturas devem continuar acima da média durante a primavera. O Painel El Niño indica temperaturas superiores ao normal em quase todo o país. Em Mato Grosso do Sul, o cenário mantém a possibilidade de períodos de calor mesmo durante a estação chuvosa.
A previsão também chama atenção para a situação dos rios que formam a bacia pantaneira. No Alto Rio Paraguai, as vazões devem ficar acima da média e há maior possibilidade de cheias. A tendência, porém, é que esse risco diminua gradualmente até dezembro.
O comportamento dos rios dependerá da quantidade e da distribuição das chuvas ao longo dos próximos meses. Por isso, a previsão não significa que todo o Pantanal terá necessariamente uma cheia de grandes proporções. O cenário indica maior atenção principalmente nas áreas das cabeceiras do Alto Rio Paraguai.
O El Niño também deve produzir efeitos diferentes dentro do Centro-Oeste. Enquanto o centro e o sul de Mato Grosso do Sul têm previsão de mais chuva, outras áreas da região podem enfrentar déficit hídrico e temperaturas elevadas. A estação chuvosa no centro do país pode começar entre o fim de outubro e meados de novembro.
Mesmo com a perspectiva de aumento das chuvas em parte de Mato Grosso do Sul, o risco de queimadas continua presente. O Painel mantém áreas do Centro-Oeste entre as regiões que exigem atenção para a ocorrência de fogo durante o trimestre. O calor e a vegetação ainda seca podem favorecer incêndios antes da regularização das chuvas.
A possibilidade de um El Niño muito forte também é acompanhada por centros internacionais de previsão. Segundo a NOAA, as temperaturas da superfície do mar no Pacífico Central e Leste já superaram 2°C acima da média. A agência aponta ainda a possibilidade de o episódio estar entre os mais intensos registrados desde 1950.
Diante do cenário, o Painel El Niño recomenda que estados e municípios revisem e atualizem seus planos de contingência. As orientações incluem reforçar o monitoramento, os sistemas de alerta e a comunicação com a população. A recomendação também vale para setores que podem ser afetados por mudanças no regime de chuvas e pela elevação dos níveis dos rios.
Para Mato Grosso do Sul, os próximos meses combinam dois cenários que exigem acompanhamento. De um lado, o aumento das chuvas pode melhorar a disponibilidade de água em áreas do Estado; de outro, a elevação das vazões pode aumentar o risco de cheias no Pantanal. A evolução dependerá da intensidade e da distribuição dos temporais durante a primavera e o início do verão.

Previsão para outubro a dezembro aponta cenário diferente do restante do Centro-Oeste, com temperaturas acima da média no estadoFoto: Aprosoja
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