Pantanal registra menor área queimada da história desde 1985

Relatório do MapBiomas aponta queda histórica nos incêndios, mas alerta para alta severidade do fogo

22 JUL 2026Por Assessoria 07h05
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O Pantanal registrou, em 2025, a menor área queimada desde o início da série histórica do MapBiomas, em 1985. Ao longo do ano, o bioma perdeu 121 mil hectares para o fogo, resultado 85,6% inferior à média histórica e o menor já registrado em 41 anos de monitoramento.

Os dados fazem parte da segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgada nesta terça-feira (21) pelo MapBiomas. Em todo o país, foram queimados 12,7 milhões de hectares em 2025, quase metade da área registrada em 2024 e 31% abaixo da média histórica anual, de 18,4 milhões de hectares.

A redução nacional foi impulsionada principalmente pela Amazônia, onde a área atingida pelo fogo caiu de 15,8 milhões de hectares em 2024 — o maior índice da série histórica — para 3,1 milhões de hectares em 2025, o menor já registrado no bioma.

Fogo menos frequente, mas mais intenso

Apesar da expressiva redução da área atingida, o Pantanal continua entre os biomas onde os incêndios provocam os maiores danos ambientais.

Segundo o MapBiomas, pelo menos metade da área queimada no Pantanal, na Mata Atlântica e no Pampa apresenta severidade alta ou muito alta, indicando impactos mais profundos sobre a vegetação e recuperação mais lenta dos ecossistemas.

O relatório também revela que 64% de toda a área queimada no Brasil desde 1985 sofreu mais de um episódio de incêndio. Dessas áreas, 52% voltaram a queimar em um intervalo de até quatro anos. No Pantanal, essa recorrência preocupa devido à limitada capacidade de regeneração das áreas úmidas e à perda de biodiversidade.

Corumbá lidera ranking histórico

Em Mato Grosso do Sul, Corumbá aparece entre os municípios que mais acumularam áreas queimadas entre 1985 e 2025, ao lado de São Félix do Xingu (PA).

O estudo aponta que 11% de toda a área queimada no Brasil está concentrada em apenas 15 municípios, evidenciando a forte pressão histórica sobre grandes áreas do Pantanal sul-mato-grossense.

Cerrado segue como o bioma mais afetado

Embora Mato Grosso do Sul não esteja entre os três estados com maior área queimada no período analisado, o estado reúne dois biomas com comportamentos distintos diante do fogo.

Enquanto o Pantanal apresentou o menor índice de queimadas da série histórica, o Cerrado manteve a liderança nacional entre os biomas mais atingidos, com 8,7 milhões de hectares queimados em 2025 e média anual de 9,6 milhões de hectares desde 1985.

Além disso, o Cerrado registrou a maior recorrência de incêndios: 66% de toda a área queimada no bioma sofreu mais de um episódio de fogo ao longo da série histórica.

A pesquisadora do IPAM e integrante do MapBiomas Fogo, Vera Laísa Arruda, alertou para o aumento da frequência e da extensão das queimadas no Cerrado.

“No Cerrado, o fogo faz parte da dinâmica natural do bioma, mas a incidência atual, marcada por eventos mais frequentes e extensos, pode ultrapassar a capacidade de recuperação da vegetação. Quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação do bioma.”

Vegetação nativa concentra maior parte das queimadas

O levantamento mostra que 71,5% de toda a área queimada no Brasil entre 1985 e 2025 ocorreu sobre vegetação nativa. No Pantanal e no Cerrado, esse percentual supera 80%, indicando que o fogo ainda afeta predominantemente áreas naturais.

Já na Amazônia e na Mata Atlântica, as queimadas ocorrem principalmente em áreas alteradas pela atividade humana, como pastagens e propriedades agrícolas.

A coordenadora do MapBiomas Fogo, Ane Alencar, destacou que a série histórica permite identificar padrões de recorrência, severidade e distribuição dos incêndios, contribuindo para o planejamento de ações preventivas.

“Saber onde o fogo é recorrente, com que frequência ele retorna, qual é sua severidade potencial e quais áreas estão queimando mais ou menos é essencial para definir prioridades, orientar ações preventivas e implementar, de forma mais eficiente, a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.”

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