Um dos momentos mais emblemáticos da construção da Ponte da Rota Bioceânica foi registrado na noite desta quarta-feira (15), quando as estruturas erguidas a partir das margens brasileira e paraguaia finalmente se encontraram sobre o Rio Paraguai. O chamado "beijo das aduelas", ocorrido às 20h54, consolidou a ligação física entre Porto Murtinho (MS) e Carmelo Peralta, no Paraguai, representando um marco histórico para um dos maiores projetos de infraestrutura da América do Sul.
Com 1.294 metros de extensão, a ponte é considerada a principal obra do Corredor Rodoviário Bioceânico, iniciativa que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma nova rota para o transporte de cargas até os portos do Oceano Pacífico e reduzindo custos e tempo de viagem para as exportações brasileiras, especialmente destinadas ao mercado asiático.
Segundo o diretor de engenharia da obra, René Gomes, o primeiro contato entre os dois lados ocorreu pelas laterais da estrutura, simbolizando a união definitiva entre os países.
Após essa etapa, as equipes iniciam a interligação da malha de ferragem e a concretagem da laje que formará a plataforma contínua da ponte.
Obra entra na reta final
Com a ligação física concluída, os trabalhos passam agora para a fase de acabamento. Entre os serviços previstos estão:
- Pavimentação da pista de rolamento;
- Instalação de dispositivos de proteção contra colisões e tentativas de suicídio;
- Implantação da iluminação ornamental e de segurança;
- Sinalização horizontal e vertical.
A previsão da coordenação da obra é de que os serviços sejam concluídos em aproximadamente três meses, com entrega prevista para outubro de 2026.
Inicialmente, a inauguração estava programada para maio deste ano, mas o cronograma precisou ser ajustado após adequações técnicas identificadas durante a execução.
A construção é coordenada pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações (MOPC) do Paraguai, financiada pela Itaipu Binacional, com investimento de aproximadamente US$ 100 milhões, sendo executada pelo Consórcio PyBra.
Três anos de construção
As obras começaram em julho de 2022 e avançaram gradualmente ao longo dos últimos três anos.
Em 2024, houve uma paralisação temporária em razão de uma investigação da Receita Federal relacionada a procedimentos aduaneiros. Apesar do atraso, o cronograma foi retomado e, no último dia 9 de julho, restavam apenas 5,60 metros para que as duas estruturas se encontrassem.
Na ocasião, cerca de 140 trabalhadores atuavam simultaneamente no canteiro de obras.
Ao longo de 2025, a execução ultrapassou 80%, e o empreendimento passou a receber visitas de autoridades brasileiras e paraguaias, além de atrair turistas interessados em acompanhar a evolução da construção em Porto Murtinho.
Corredor transformará logística sul-americana
A Ponte da Rota Bioceânica é considerada a peça central do corredor logístico internacional que ligará Mato Grosso do Sul aos portos do norte do Chile, atravessando o Paraguai e a Argentina.
A nova rota reduzirá significativamente as distâncias percorridas pelas cargas brasileiras destinadas aos mercados da Ásia, fortalecendo a competitividade das exportações de grãos, carnes, celulose e minérios produzidos na região Centro-Oeste.
Enquanto a ponte entra na fase final, as obras de acesso seguem em ambos os lados da fronteira.
No Paraguai, o governo constrói 3,8 quilômetros de pavimentação até a rodovia PY-15.
Já no Brasil, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) executa, desde setembro de 2024, um novo acesso rodoviário de 13,1 quilômetros entre a BR-267 e a ponte. A obra recebe investimento de cerca de R$ 500 milhões e tem conclusão prevista para o segundo semestre de 2027.
A conclusão da ponte representa um passo decisivo para a consolidação da Rota Bioceânica, projeto que promete transformar Mato Grosso do Sul em um dos principais corredores logísticos da América do Sul, ampliando a integração regional e impulsionando o desenvolvimento econômico do Estado.
Legenda da imagem: Encontro das estruturas marca ligação entre Brasil e Paraguai.

Encontro das estruturas marca ligação entre Brasil e Paraguai.Divulgação
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