O governador Eduardo Riedel afirmou que um eventual segundo mandato não representaria uma mudança brusca na administração de Mato Grosso do Sul. Durante participação no Café com Política, ele defendeu a continuidade das políticas públicas já implantadas e disse que a prioridade seria acelerar ações em andamento nas áreas de educação, saúde, segurança, infraestrutura e desenvolvimento humano.
Ao falar sobre o processo eleitoral, Riedel afirmou que pretende manter uma postura de debate, evitando transformar a disputa em confronto pessoal. Segundo ele, a campanha deve ser utilizada para apresentar indicadores, propostas e diferentes visões sobre o futuro do Estado.
“Não sou homem de embate, sou homem de debate”, declarou.
O governador disse ainda que, mesmo com a campanha eleitoral, continuará administrando o Estado. “Eu tenho Estado para administrar e vou continuar administrando”, afirmou.
Continuidade administrativa
Questionado sobre como seria um eventual “governo 2.0”, Riedel afirmou que mudanças de equipe e ajustes de rota fazem parte da administração pública, mas não significam abandono das diretrizes estabelecidas.
Na avaliação do governador, a sociedade está mudando em velocidade superior à capacidade de adaptação do poder público. Por isso, defendeu uma aceleração das ações já implantadas, principalmente em setores considerados estratégicos.
Riedel também destacou os indicadores econômicos e sociais do Estado. Segundo ele, Mato Grosso do Sul apresenta crescimento anual entre 5% e 7%, desemprego de 3,6% e renda média próxima de R$ 4 mil por trabalhador.
Investimentos e crescimento
O governador afirmou que Mato Grosso do Sul possui aproximadamente R$ 30 bilhões em investimentos contratados para os próximos dez anos. Segundo ele, o volume total de investimentos, atualmente estimado em R$ 82 bilhões, poderá chegar a R$ 100 bilhões até o fim do ano.
Para Riedel, o principal desafio não será apenas garantir o crescimento econômico, mas transformar os resultados em oportunidades para a população.
Nesse contexto, ele voltou a apontar a educação como uma das principais ferramentas para reduzir desigualdades. O governador afirmou que 51% dos estudantes da rede estadual no ensino médio estão matriculados em cursos profissionalizantes, distribuídos em 92 modalidades.
Ele também defendeu a ampliação do ensino de inglês nas escolas estaduais, argumentando que a formação dos jovens precisa acompanhar a inserção do Estado na economia global.
Meio ambiente como ativo econômico
Outro ponto destacado durante a entrevista foi o programa Carbono Neutro 2031. Riedel defendeu a integração entre preservação ambiental, desenvolvimento econômico e políticas sociais.
Segundo o governador, nos últimos 15 anos o Estado reduziu em 5 milhões de hectares a área de pastagens degradadas e registrou queda de 52% nas emissões de carbono da atividade agropecuária.
Ele também citou a expansão das florestas plantadas, da cana-de-açúcar e dos grãos produzidos com plantio direto, além da geração de energia por biomassa.
Riedel afirmou ainda que a transformação da MS Mineral em MS Ativos Ambientais permitirá ao Estado atuar na comercialização de ativos ambientais no mercado internacional. Conforme declarou, o primeiro edital internacional poderá movimentar US$ 80 milhões.
Aeroportos entram em nova etapa
Na área de infraestrutura, Riedel afirmou que os aeroportos de Dourados, Três Lagoas e Bonito deverão entrar no processo de concessão. O chamamento, segundo ele, está previsto para novembro.
O governador destacou ainda os investimentos já realizados nos aeroportos de Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá, que receberam, conforme sua declaração, R$ 630 milhões.
Em Dourados, Riedel citou a existência de um voo diário para Guarulhos, com ocupação média de 94%, e afirmou que existe discussão para a implantação de uma segunda frequência.
Pontes serão avaliadas
Riedel também comentou as quedas de pontes registradas no Estado, incluindo o caso de Coxim, onde a queda de uma estrutura provocou a morte de um motorista.
Segundo ele, o aumento do tráfego pesado passou a pressionar estruturas construídas para uma realidade diferente. O governo contratou uma empresa especializada para avaliar outras pontes construídas pela mesma empresa e no mesmo período.
A análise deverá indicar quais estruturas poderão ser reforçadas e quais precisarão ser substituídas.
Relação com setor produtivo
Ao comentar críticas sobre a relação do governo com entidades empresariais, Riedel defendeu a manutenção do diálogo com o setor produtivo.
Ele citou parcerias com Fiems, Famasul e Fecomércio em áreas como atração de investimentos, políticas públicas, ambiente tributário e desenvolvimento econômico.
Para o governador, a estabilidade institucional é fundamental para garantir a chegada de novos investimentos ao Estado.
“Onde tem guerra não tem investimento”, afirmou.
Reforma tributária e Regularize
Riedel também comentou o programa Regularize e afirmou que a iniciativa tem como objetivo orientar empresas diante das mudanças provocadas pela reforma tributária.
Segundo ele, o sistema permite identificar possíveis diferenças entre movimentações financeiras e informações declaradas pelos contribuintes.
O governador reconheceu que a comunicação inicial sobre o programa poderia ter sido melhor, mas afirmou que não se arrepende da iniciativa. Para ele, o cruzamento de dados por inteligência artificial e órgãos de controle será cada vez mais comum.
Ao encerrar a participação, Riedel reforçou que pretende manter o foco na gestão e levar para o debate eleitoral os resultados alcançados, os investimentos previstos e os projetos para os próximos anos.

Riedel defende continuidade e novos investimentos no Estado.Divulgação
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