O governador Eduardo Riedel afirmou que Mato Grosso do Sul atravessa um processo de diversificação econômica, com redução da dependência da pecuária e dos grãos e avanço da industrialização. Segundo ele, o Produto Interno Bruto estadual saiu de cerca de R$ 90 bilhões para mais de R$ 220 bilhões em aproximadamente uma década, enquanto novas cadeias produtivas passaram a ocupar áreas antes destinadas exclusivamente à pecuária.
Riedel também relacionou o crescimento econômico à geração de empregos e ao aumento da produtividade no campo. Durante entrevista ao Jornal Ronda do MS, ele destacou investimentos previstos em rodovias, o impacto da Rota Bioceânica, projetos para municípios do interior e medidas voltadas ao comércio e aos pequenos negócios.
“O que nós fizemos foi primeiro diversificar essa matriz”, afirmou o governador ao falar sobre a transformação da economia estadual. Segundo ele, a área de pastagens caiu de 23 milhões para 18 milhões de hectares desde 2010, enquanto avançaram atividades como florestas plantadas, grãos, laranja, amendoim e produção de proteínas.
Riedel afirmou que a redução da área de pastagem ocorreu sem perda proporcional da produção pecuária. “A gente tem menos cabeças, mas o volume de abate e exportação é o maior”, disse, ao relacionar o resultado ao aumento da produtividade e à redução do tempo necessário para a recria e engorda dos animais.
O governador também destacou a industrialização associada à produção agropecuária como um dos fatores de expansão da economia. “Essa transformação industrial do estado, dessa matriz agro, potencializou todos os negócios de serviços e comércios estados afora”, afirmou.
Ao comentar a agricultura familiar, Riedel defendeu políticas voltadas ao aumento da produtividade de pequenos produtores e rejeitou uma divisão entre grandes e pequenos produtores rurais. “Eles estão rumando no mesmo caminho, eficiência, produtividade e resultado para sua atividade”, declarou.
Sobre a Rota Bioceânica, o governador afirmou que os efeitos sobre Mato Grosso do Sul devem ocorrer de forma gradual e envolver diferentes setores da economia. “Pelo turismo, pelo comércio, pela logística, pela passagem, pelas empresas que vão ficar em cada município, pela mão de obra formada”, explicou.
Em relação à BR-060, Riedel afirmou que o projeto de duplicação deverá ser concluído em novembro e posteriormente seguirá para licitação. “O projeto de duplicação da 060 em novembro está entregue pelo DNIT”, disse, acrescentando que a obra será uma obrigação do próximo governo, independentemente do resultado eleitoral.
Para Sidrolândia, o governador citou ainda discussões sobre a implantação de um anel viário e investimentos em infraestrutura. “A gente tem olhado Sidrolândia com um olhar estratégico”, afirmou, ao mencionar também o aeródromo e obras de pavimentação e recapeamento como medidas para preparar o município para o crescimento.
No Vale do Ivinhema, Riedel anunciou um programa de requalificação da malha rodoviária estadual financiado em parceria com o Banco Mundial. “Vão ser mais de um bilhão de reais investidos com recurso do Banco Mundial”, afirmou, com previsão de início do conjunto de projetos a partir de outubro.
O modelo previsto, segundo o governador, será uma parceria público-privada na qual a empresa vencedora ficará responsável pela recuperação e manutenção das rodovias durante dez anos. “Você tem a garantia de que vai ter essa malha reestruturada e mantida em sinalização e qualidade ao longo desse período”, declarou.
Riedel também citou a instalação de um data center no Vale do Ivinhema como exemplo da aproximação entre o agronegócio e setores de tecnologia. “Olha como as commodities estão conversando com a alta tecnologia”, afirmou, relacionando o empreendimento à disponibilidade de energia limpa e à infraestrutura de fibra óptica implantada na região.
Em Caarapó, o governador afirmou que o Estado pretende continuar apoiando obras de infraestrutura e acompanhando a chegada de novos empreendimentos. “A gente vai continuar essa parceria por Caarapó”, disse, citando investimentos em pavimentação, drenagem, habitação e atividades ligadas à indústria de proteínas e ao setor sucroenergético.
Ao falar sobre comércio e pequenos negócios, Riedel afirmou que a manutenção do crescimento econômico será uma das principais formas de sustentar a atividade. “O que isso significa? Significa a capacidade do Estado ter um alto índice de emprego, renda média ou maior, e o comércio acaba sendo favorecido nesse processo”, declarou.
O governador também citou a carga tributária como fator de competitividade e afirmou que Mato Grosso do Sul possui uma das menores alíquotas gerais de ICMS do país. “Quando a gente fala de ICMS, ele é o menor do Brasil, junto com mais quatro Estados”, afirmou.
Sobre o setor imobiliário, Riedel disse que o crescimento econômico precisa ser acompanhado por investimentos públicos em infraestrutura urbana, educação, saúde e segurança. “A política pública tem que acompanhar esse crescimento, esse desenvolvimento”, afirmou.
Confira a entrevista com o governador Eduardo Riedel:

O governador Eduardo Riedel concedeu entrevista à Jota FM nesta terça-feira (18)Foto: Mateus Adriano/Jota FM
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