A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul concluiu que o sequestro da bebê Ayla Emanuelly foi planejado com antecedência e tinha como objetivo fazer com que a suspeita tivesse uma filha. Segundo a investigação, a mulher teria criado uma falsa gravidez e escolhido a criança para tentar manter o relacionamento com o marido.
A Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) identificou que a suspeita passou cerca de um mês se aproximando da família antes de levar a bebê. A polícia também descartou a hipótese de tráfico internacional de crianças e concluiu que Ayla foi escolhida especificamente pela investigada.
“Ela realmente planejou esse sequestro porque tinha o intuito de ter uma filha”, afirmou a delegada Anne Karine Sanches Trevizan Duarte.
A investigação aponta que a mulher utilizou grupos de doações para estabelecer contato com a mãe da bebê. Durante o período de aproximação, ela teria levado roupas, fraldas e outros produtos para a criança e realizado visitas à residência da família.
“Ela ganhou a confiança porque foi manipulando a adolescente, fazendo doações. Foi ganhando a confiança dessa adolescente.”
A suspeita também teria inventado uma história sobre uma filha de seis meses e oferecido R$ 100 para que a mãe de Ayla cuidasse da criança. Posteriormente, os investigadores descobriram que o bebê mencionado na história era, na verdade, uma neta da mulher.
A polícia afirma ainda que a investigada tentou organizar uma sessão de fotos com Ayla antes do sequestro. A família desistiu da ideia por causa do frio e, no dia seguinte, a mulher teria colocado em prática o plano para levar a bebê.
Segundo a delegada, a escolha de Ayla não ocorreu por acaso. A suspeita teria procurado outras gestantes que dariam à luz no mesmo período, mas buscava especificamente uma menina e levou em consideração características e a data de nascimento da criança.
“O objetivo era ter uma menina”, explicou a delegada durante a coletiva.
A investigação também identificou uma suposta gravidez inventada pela mulher. Ela teria afirmado inicialmente que estava esperando um bebê e depois contado que havia perdido a criança, mas os investigadores não encontraram registros que comprovassem a gestação.
Após pegar Ayla, a suspeita teria utilizado um motorista de aplicativo para deixar as adolescentes que estavam com a bebê em uma área de mata. Em seguida, levou a criança para a residência de uma filha, onde trocou suas roupas e alterou características do bebê-conforto para dificultar a identificação.
A mulher então fugiu com Ayla para Pedro Juan Caballero, no Paraguai, onde já havia morado. A localização foi possível após o trabalho de inteligência da Depca e a cooperação das autoridades paraguaias.
A bebê foi localizada viva e em bom estado na residência onde estavam a suspeita e o marido. Os dois foram presos e apresentados às autoridades em Ponta Porã, assim como um terceiro homem apontado como participante da ação.
A polícia afirma que esse terceiro investigado teria cedido uma casa utilizada durante o início do crime e recebido R$ 1 mil pelo imóvel. O marido da suspeita também tinha um mandado de prisão em aberto por homicídio e, segundo a investigação, utilizava documento falso.
A Depca não encontrou evidências de que o sequestro estivesse relacionado a uma organização especializada em tráfico de crianças. A investigação também não identificou outras vítimas relacionadas à forma de abordagem utilizada pela suspeita.
“Não existe facção. Não existe nada disso. Não existe tráfico internacional de crianças”, afirmou a delegada.
O inquérito será encaminhado à Justiça após a conclusão das diligências sobre a participação de cada investigado. A polícia também informou que não encontrou qualquer indício de envolvimento da família de Ayla no crime.
A investigação contou ainda com o acionamento do Alerta Amber, mecanismo utilizado em casos de desaparecimento de crianças e adolescentes. Após ser localizada no Paraguai, Ayla retornou ao Brasil e permaneceu sob acolhimento por determinação judicial antes de ser entregue novamente aos familiares.

Anne Karine Sanches Trevizan Duarte durante coletiva de imprensa na Depca Foto: Reprodução
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