Em gozo de férias no Rio Grande do Sul – é gaúcho de Santiago -, o prefeito Derlei João Delevatti (PSDB) não viu pessoalmente as fortes chuvas que começaram a cair de segunda para terça-feira passadas em Porto Murtinho.
A força das águas destruiu ou danificou residências, ruas, estradas, veículos e instalações elétricas, além de inundar vários bairros e desabrigar mais de 40 pessoas, segundo números da Defesa Civil apurados na parte da manhã.
Em Santiago, a aproximadamente 1.500 km de distância da cidade que administra, Delevatti vem sendo alvo de ácidas críticas, inclusive de aliados políticos, mas mandou avisar que “em breve” estará de volta e discutiu asperamente nas redes sociais com internautas que o atacavam. Uma delas, Luana Aguilera Demoner, chamou-o de covarde e teve o troco.
A situação de Porto Murtinho só não é pior porque os efetivos do Exército, da Marinha, Polícia Militar Ambiental, voluntários e equipes da Prefeitura se mobilizaram desde a madrugada para resgatar pessoas ilhadas e alojá-las em repartições publicas, casas de parentes e escolas. O drama dos murtinhenses tomou conta das mídias sociais. No Facebook, a senhora Luana Aguilera Demoner postou um apelo e provocou, agressiva: “Derlei Delevatti, abandone as férias e ponha o seu na reta. Está parecendo um covarde”.
O prefeito tucano devolveu: “Sempre tentei preservar o respeito entre as pessoas, mas você me chamou de covarde. Eu seria covarde se tivesse me formado e, ao contrário de trabalhar, eu ir [sic] me escondendo debaixo da saia da minha mãe e viver às custas da mesma, pedindo dinheiro, ou não permitir que minha esposa trabalhasse de medo de perde-la, ou eu ficasse só de blá-blá-blá e não tivesse coragem de me candidatar. Aí sim eu seria covarde”, rebateu.
Delevatti continuou: “Eu não sou covarde e em breve estarei aí em Porto Murtinho auxiliando as equipes já existentes para resolvermos os problemas”. Esses problemas foram agravados – e aí um dos itens pontuais das críticas à atual administração – por causa da falta de manutenção dos canais de escoamento de águas pluviais.
Entupidos, sem capacidade de vazão, nas horas mais agudas do temporal os canais não conseguiram reduzir o impacto das inundações e as águas se espalharam por diversos bairros. Um deles, o da Cohab, ficou ilhado e o transporte em alguns trechos era feito por meio de pequenas embarcações, segundo a Defesa Civil.
Um advogado murtinhense que mora em Campo Grande, Walter Jacaré, chegou a recorrer ao ex-prefeito Nelson Cintra Ribeiro, marido da vice-prefeita Maria Lúcia Barbosa Ribeiro. O apelo foi feito no sentido de assegurar que a primeira-dama assumisse as rédeas da administração na ausência de Delevatti e agilizasse as providências mais emergenciais, como o socorro aos desabrigados e o fornecimento de víveres, água potável, medicamentos, roupas, cobertores e colchões.
O prefeito não havia informado até o final da noite de terça-feira a data de sua volta à cidade. Mas garantiu estar acompanhando tudo atentamente e já sabe que as previsões da meteorologia não são nada boas – as chuvas devem continuar caindo fortemente até sexta-feira, 29, na fronteira Brasil-Paraguai. Para acentuar o ambiente de apreensão na região, o Rio Paraguai está subindo, como ocorre todos os anos nesse período, e suas águas geralmente invadem as cidades brasileiras e paraguaias do entorno.
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