O último debate presidencial da TV Globo, realizado na noite de sexta-feira (23), entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, foi marcado por confrontos, acusações e declarações cuja precisão foi questionada por serviços de checagem de fatos.
A principal dúvida após o encontro é saber qual dos dois candidatos apresentou mais informações falsas durante o debate.
Um levantamento consolidado pelo FlagCheck classificou 17 afirmações de Lula como falsas, contra 13 de Flávio Bolsonaro. No entanto, outras verificações apresentaram resultados diferentes, impedindo uma conclusão definitiva sobre quem mais errou.
O que dizem os números
Segundo o levantamento do FlagCheck, foram analisadas 66 declarações de Lula e 86 de Flávio Bolsonaro.
Entre as falas do presidente, 25 foram consideradas verdadeiras, 21 imprecisas e 17 falsas. Já entre as declarações de Flávio Bolsonaro, 36 foram classificadas como verdadeiras, 28 imprecisas e 13 falsas.
Proporcionalmente, as afirmações falsas representaram 25,8% das declarações verificadas de Lula e 15,1% das de Flávio Bolsonaro.
Esses percentuais, entretanto, dizem respeito apenas às declarações selecionadas para verificação, e não à totalidade das falas dos candidatos.
Declarações questionadas
Entre os pontos atribuídos a Flávio Bolsonaro e contestados por verificadores estão uma declaração sobre roubo de celulares, informações relacionadas a obras públicas paralisadas e referências à redução do tamanho das embalagens de produtos.
No caso de Lula, foram questionados números sobre obras paralisadas, informações relacionadas ao patrimônio de seu adversário e comparações sobre indicadores econômicos e programas sociais.
As verificações consideram não apenas informações completamente falsas, mas também dados apresentados sem contexto, exageros e comparações inadequadas.
Por que as checagens apresentam resultados diferentes?
Cada organização utiliza critérios próprios para selecionar e classificar as declarações dos candidatos.
Uma afirmação pode ser considerada falsa por um verificador e imprecisa ou fora de contexto por outro, dependendo da documentação analisada e da metodologia adotada.
Também é importante distinguir uma informação incorreta de uma mentira deliberada. Para afirmar que alguém mentiu intencionalmente, seria necessário demonstrar que a pessoa conhecia a verdade e decidiu distorcê-la.
O que fica para o eleitor
O debate ocorreu na reta final da disputa presidencial, quando os eleitores buscam comparar propostas, resultados de governos anteriores e compromissos para os próximos quatro anos.
As verificações mostram que os dois candidatos utilizaram informações questionáveis em suas argumentações.
Embora um dos levantamentos tenha registrado mais afirmações falsas de Lula, outros apresentaram avaliações diferentes. Portanto, os dados disponíveis não permitem estabelecer um resultado único e definitivo.
A Rede Jota FM reforça a importância de o eleitor consultar fontes oficiais, comparar informações e avaliar as propostas dos candidatos antes de decidir seu voto no segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.
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