O estampido de uma simples espoleta e o barulho de um morteiro podem causar nos seres humanos e nos animais domésticos e selvagens lesões auriculares e outros traumas que, ás vezes, não têm recuperação.
As festividades de fim-de-ano e as comemorações manifestadas por meio de explosivos levaram a Pindorama FM e emissoras da Rede Feitosa de Rádio a produzir reportagens e entrevistas com autoridades policiais, especialistas em saúde e representantes de organizações não-governamentais dos direitos da pessoa e dos animais. E todas essas entrevistas chamam a atenção da sociedade para os riscos que as explosões dos fogos de artifício e outros artefatos trazem à saúde.
O major Alexssander dos Santos Trindade, comandante do 18º Subgrupamento de Bombeiros Militar, enfatiza a necessidade de cuidados preventivos dos mais simples aos sofisticados. E descreve algumas situações que podem minimizar os riscos a pessoas e animais: “Fogos de artifício só podem ser manuseados por maiores de 18 anos e sempre observando as instruções nas embalagens. Devem ser adquiridos em casas comerciais que os armazenem adequadamente e jamais podem ser acesos em locais fechados”, recomenda.
Assim como o oficial bombeiro, especialistas falam sobre a agonia e o sofrimento que os fogos de artifício podem provocar sérias lesões nos animais domésticos, sobretudo os cães. O médico veterinário Zoé Prates Silvério apela para que a sensibilidade auditiva dos bichos seja protegida ao máximo. “Todos os cuidados devem ser tomados pelos donos. De preferência, não deixar seus animais sozinhos e expostos ao barulho. E proteger seus ouvidos de maneira adequada, para isolar o som externo”, aconselha.
Outras medidas de prevenção incluem: isolar os cães num espaço interno da residência e fechar os vidros das janelas e, se necessário, aplicar calmantes e usar algodão para tapar os ouvidos, sempre com orientação do médico-veterinário. “O ouvido do cão é muito sensível, a qualquer estampido, seja de revólver, foguete, espoleta. Ruídos muito agudos o ser humano consegue ouvir até um certo limite. Os cães captam sons imperceptíveis aos humanos. Uma festa com foguetório é veneno para os cães”, comparou Silvério.
O veterinário diz ainda que permanecer ao lado do animal é uma das melhores atitudes para evitar que o cão fique estressado ou tente fugir deforma desesperada. E faz outra advertência: o foguete é prejudicial até para os humanos, porque é alto em decibéis. “E se esse impacto sonoro pode causar lesões irreversíveis no ouvido do ser humano, então imaginem nos animais”.
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