Só em recursos federais cerca de R$ 4 milhões foram assegurados a Sidrolândia com ações dos vereadores em Campo Grande e Brasília. Jean Nazareth (PT), presidente da Câmara, defende o controle da sociedade e explica os critérios para a concessão de diárias, motivo de polêmicas no Município.
Em entrevista à Rede Jota FM/Rádio Pindorama, Jean Nazareth disse ter recebido com alegria e naturalidade as críticas de setores da sociedade que, em um outdoor e nas redes sociais, questionaram gastos do Legislativo com diárias. Porém, ressalvou que todas as viagens obedecem a critérios constitucionais e as realizadas por ele e outros colegas nesta legislatura garantiram vários benefícios para a cidade, com gastos bem menores que em outras gestões.
“A população tem que fazer seu papel, fiscalizar seus representantes, cobrar, criticar. E tem que propor também, ajudar a encontrar soluções. Eu gosto da crítica, aprendo com ela, sou vereador de segundo mandato”, comentou. Afirmou então que recebe e analisa as críticas com humildade para aprender e determinação para responder à altura quando necessário
Por isso, ao constatar que algumas críticas aos gastos com diárias foram infundadas e de caráter depreciativo, procurou o dono do terreno em que estava o outdoor e ficou sabendo que havia sido afixado sem autorização. “Em menos de duas horas o proprietário mandou retirar, porque aquilo era ilegal, foi posto na calada da noite. Esse ato às escondidas feria a lei. A crítica, tudo bem, é um direito democrático, embora nesse caso uma crítica sem fundamento”, enfatizou.
Sem citar nomes, Jean Nazareth disse que já adotou procedimentos para acionar judicialmente quem o atacou com injúrias e calúnias, mas prefere esclarecer a questão das diárias. Primeiro, informa que o total de diárias em 2017 foi de R$ 163 mil para deslocamentos de 14 dos 15 vereadores. Só um, Valdecir José Carnevali, o Ganso, nunca pediu diárias. “Colocaram no outdoor que esse total foi gasto só comigo e com o Cledinaldo. Ora, se tivessem boa vontade e responsabilidade para criticar, bastaria conferir as contas municipais, os gastos da Câmara, para ver que eu, vereador Jean, recebi no ano inteiro R$ 22 mil em diárias e não R$ 206 mil”.
Em segundo lugar, de acordo com Jean Nazareth, o desembolso de diárias em sua gestão foi muito menor e bem mais produtivo que em outras legislaturas. “E terceiro: a diária só existe porque quando se vai pra fora como atribuição do mandato, sobretudo para Campo Grande e Brasília, o vereador e qualquer outro servidor publico precisam pagar transporte, alimentação e estadia. O mesmo se dá na iniciativa privada. Numa emissora de rádio, por exemplo, a FM Pindorama, quando o repórter vai fazer uma cobertura em outra cidade a direção da empresa é que custeia suas despesas, o funcionário não vai tirar do próprio bolso”, argumentou.
CUSTO-BENEFÍCIO – Com números oficiais às mãos, Jean Nazareth detalhou e comparou os gastos com diárias e o resultado das viagens em busca de recursos para Sidrolândia. “Em 2017 qual o vereador que mais conseguiu trazer verbas para cá? Claro que não consegui sozinho, eu tive vários colegas ao meu lado, como o Kennedi e o Edno, que me abriu as portas do senador Pedro Chaves”, ponderou.
Segundo o presidente da Câmara, as incursões federais produziram vários frutos, entre os quais R$ 530 mil no Ministério das Cidades, via deputados federais Zeca do PT e Vander Loubet, em parceria com o Governo de Mato Grosso do Sul, para pavimentação asfáltica do Residencial Dona Diva, no Jardim Pindorama II . “A cada um real de Brasília o Estado põe mais um real. Assim, só temos aí um investimento de R$ 1 milhão 060 mil”, explica.
Foram assegurados ainda outros benefícios: R$ 460 mil para duas patrulhas mecanizadas, entregues no Assentamento Alambari, e outra está sendo licitada para o Assentamento Nazareth. Para custeio da saúde, R$ 500 mil, já disponibilizados ao Estado. Também para o Assentamento Nazareth, R$ 1 milhão que Zeca e Vander carimbaram para abastecimento de água. “Só nesse pacote tem perto de R$ 3,5 milhões de investimentos federais, também com as mãos do prefeito Marcelo Áscoli, da primeira-dama, do Edno, do Nelinho, de toda equipe da Prefeitura”, realça o vereador.
Ele faz questão de citar que foi o colega Edno Ribas quem o levou a Pedro Chaves. “O senador não é do meu partido, mas conseguimos com ele uma patrulha mecanizada, com valor de R$ 250 mil, além de um repasse de R$ 200 mil que o prefeito vai ver onde atender e mais uma ambulância. Já havíamos assegurado aquela ambulância com os R$ 100 mil que a Câmara devolveu à Prefeitura. E agora a frota ganha novo reforço”, destacou. O volume de verbas federais chega, portanto, a R$ 4 milhões, o que torna residual, no caso específico de Jean Nazareth, o repasse de R$ 22 mil em um ano para custear suas despesas de viagem.
“Precisamos trazer mais recursos para a cidade. Tem gente querendo impedir-nos de trabalhar. Cada um faz o que achar melhor. Eu cumpro meu papel e minhas obrigações com Sidrolândia. Se a população precisar, vou de novo buscar”, avisou Jean. Ele sugere que se faça outra comparação: em 2017, o total de emendas parlamentares estaduais intermediadas por 13 vereadores somou R$ 170 mil. Contudo, Jean obteve, Só com os deputados de seu partido, mais de R$ 350 mil em verbas estaduais, assim distribuídas: João Grandão (R$ 120 mil para a saúde), Cabo Almi (R$ 100 mil), Pedro Kemp (R$ 100 mil) e Amarildo Cruz (R$ 30 mil).
DEBATE GLOBO Lula e Flávio apresentam informações falsas; checagens divergem sobre quem errou mais
Eleições 2026 MS mobiliza 3,3 mil profissionais para reforçar segurança no segundo turno presidencial
ENTREVISTA Gianni Nogueira defende transparência nas filas da saúde em MS
ALERTA El Niño pode provocar onda de calor e chuvas irregulares em MS