Se depender dos 24 deputados estaduais , a liberdade religiosa não corre riscos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. No encerramento do ano legislativo de 2017, em uma igreja católica o presidente da Casa, Júnior Mochi (PMDB), reiterou o respeito ao princípio do Estado laico.
Não se tem notícia de que entre os 24 deputados estaduais sulmatogrossenses exista algum ateu. No entanto, se existisse, não haveria problema algum. É o que se pode deduzir tanto pelas afirmações do presidente da Mesas Diretora como pelas repetidas manifestações dos outros parlamentares sobre o assunto, embora vários defendam que o cristianismo tenha a deferência assinalada em itens protocolares e regimentais, como a oração na abertura das sessões.
Uma das tradições da Assembleia Legislativa é a realização das missas de segunda-feira, o que não impede celebrações evangélicas e outros cultos. Por enquanto experiências fora desse contexto ainda não foram testadas. Pode ser reflexo dos levantamentos oficiais. No censo de 2012, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informava que os fiéis da Igreja Católica Apostólica Romana eram maioria no Estado, com quase 1,5 milhão de adeptos. Mas em segundo, com quase 700 mil, os evangélicos, segmento religioso que mais cresceu nos últimos anos em todo o País.
Outras crenças como o espiritismo , as religiões de matrizes africanas, o budismo e o islamismo formam um contingente bem menor e por enquanto não têm representantes ou defensores declarados no parlamento.
Em seus 39 anos de existência, o Parlamento sulmatogrossense conheceu bem pouquíssimas experiências de manifestações fora do núcleo predominante de católicos e evangélicos. Um dos casos mais conhecidos aconteceu na primeira legislatura, a de 1979-1982, protagonizado pelo deputado corumbaense Cecílio de Jesus Gaeta. Seguidor de Umbanda e Candomblé, era uma figura polêmica nos debates e excêntrica na encarnação de sua fé, vestido quase sempre de vermelho, que era a cor da rosa na lapela do paletó, e habitualmente tendo as mãos um símbolo da religião de matriz africana, que poderia ser um amuleto ou uma imagem de orixás.
Atualmente, destacam-se os deputados militantes da maioria religiosa no Estado: os católicos, como Pedro Kemp (PT) e Paulo Siufi MDB), e os evangélicos, como Rinaldo Modesto (PSDB) e Lídio Nogueira (PEN). No final do ano passado, diversos deputados, liderados por Mochi, foram à Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para a celebração da missa festiva de saudação ao projeto em que a santa católica é oficializada como padroeira do Estado.
Autoria dos deputados Paulo Siufi e Júnior Mochi, a proposta foi sancionada pelo governador Reinaldo Azambuja (PSDB), sob protestos da bancada evangélica, o que rendeu um acirrado debate no plenário e em diversos ambientes religiosos. A data oficial da santa é 26 de junho e a consagração desse marco foi no dia 27 de dezembro, com a assinatura da lei pelo governador e um ofício religioso na tradicional novena de quarta-feira, com a presença de várias autoridades e do arcebispo metropolitano Dom Dimas Barbosa.
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