Concluir obras inacabadas melhora fôlego eleitoral de Azambuja

Tucanos exploram “herança” de investimentos que Puccinelli só iniciou ou deixou no papel

09 JAN 2018 Por Rádio jota FM/Edson Moraes 17h58

Se o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) candidatar-se à reeleição, um dos motes de campanha será, com certeza, valorizar seu esforço para concluir obras que André Puccinelli (MDB) lançou, deixando-as no papel ou apenas iniciadas.

A expressão “cemitério de obras” passa a ser utilizada de forma recorrente nos vários ambientes governamentais da gestão de Reinaldo Azambuja. Esta deve ser uma das formas de tratamento com que os tucanos devem referir-se àquilo que consideram um dos pontos mais vulneráveis do ex-governador peemedebista, um atraente discurso de campanha para superestimar as qualidades de Azambuja e desqualificar seu antecessor, que fez fama como grande tocador de obras após governar Campo Grande duas vezes e o Estado outras duas.

Discursos políticos e eleitorais a parte, a verdade é que não se pode ignorar esse feito de Azambuja. Logo que assumiu, em janeiro de 2015, o gestor peessedebista identificou 215 obras sem conclusão, parte delas só nas fundações, planilhas e projetos, mas todas lançadas por Puccinelli. O relatório de Azambuja informa que em três anos ele já entregou 208 dessas obras (97%), que absorveram recursos na casa dos R$ 734,8 milhões. Restam sete a concluir, uma delas o desafiador e polêmico Aquário do Pantanal.

Cuidadoso com as palavras e procurando demonstrar polidez, o governador não ataca o predecessor com agressividade. Prefere tratar a questão como responsabilidade do cargo e lembra que, ao tomar posse, lançou o Programa Obras Inacabadas Zero entendendo ser uma decisão compatível com o desafio de enfrentar e superar a crise econômica, apontando para a retomada dos investimentos.

Das obras que faltam para atingir 100% de resolução no programa, duas caminham para a entrega: são os asfaltamentos da ligação MS 178/BR 267 (Passo do Curê) e MS 382 (centro de Bonito à gruta do Lago Azul). No entanto, Azambuja quer dar cabo de todas as outras: três presídios em Campo Grande e o segundo trecho da MS 382 (Bonito-Serra da Bopdoquena) só dependem da liberação de verbas da União.

O Aquário do Pantanal segue patinando na pendência de decisões judiciais e na alocação de recursos. Pelo projeto inicial, seriam gastos R$ 70 milhões, mas a obra já consumiu em cinco anos perto de R$ 200 milhões e dificilmente será finalizada em 2018. Apesar disso, e ainda que não consiga concluir o Aquário, Azambuja chega a quase 100% de recuperação de investimentos e ganha um excelente recorte para seus discursos de campanha, essencial na busca de fôlego eleitoral se for mesmo candidato a mais um mandato de quatro anos na Governadoria.

O curioso é que no levantamento de Azambuja não entram algumas obras lançadas por Puccinelli. São os casos dos hospitais regionais de Dourados e Três Lagoas. Agora os dois investimentos são vinculados ao DNA gerencial do tucano, sob a alegação de que houve completa revisão dos projetos e ajuste de forma e conteúdo ao estilo do gestor tucano, que investe nos dois estabelecimentos R$ 115 milhões de dinheiro federal e estadual.

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