Protagonismo da mulher pode desequilibrar eleições em MS

No Governo, nas prefeituras e câmaras municipais elas ampliam seu espaço político

09 JAN 2018 Por Rádio Jota FM/Edson Moraes 04h35

Com a titularidade provisória dos mandatos, a governadora do Estado e a prefeita de Campo Grande em exercício, Rose Modesto (PSDB) e Adriane Lopes (PEN), acendem a expectativa de ampliação do poder feminino em Mato Grosso do Sul, num ano de eleições.

A vice-governadora Rose assumiu o cargo titular na segunda-feira, 8, e o devolverá no próximo dia 26, quando seu titular, Reinaldo Azambuja (PSDB), retorna das férias. Se em três anos de mandato Rose já tinha provado outras vezes o gosto da titularidade no poder, essa é a primeira experiência de Adriane como dona da caneta mais importante do poder político local e vai durar 12 dias, de sexta-feira, 5, a 17, quando Marquinhos volta das férias.

Em princípio, não há na agenda das substitutas compromissos ou demandas de maior complexidade ou repercussão, embora a carga protocolar do dia-a-dia seja exigente e cansativa. Rose cuidou, por exemplo, da conferência pessoal dos estragos causados pelos temporais em 13 municípios com situação de emergência decretada. Adriane foi designada para, entre outras tarefas, monitorar serviços básicos da saúde e educação, como a campanha contra a dengue e os preparativos da volta às aulas.

Apesar disso, a presença de ambas no comando do Executivo traz contribuições das mais significativas para a afirmação de gênero na política. É ano em que as urnas vão apontar quem ocupará os cargos de representação popular a partir de 2019. E este é um dos desafios singulares para as mulheres, que, como parece, iniciam um novo e crscente processo de ocupação da espaços na política. Não por acaso os partidos vêm reforçando seus quadros de filiados com lideranças femininas dos diversos segmentos.

No mais recente levantamento do Tribunal Regional Eleitoral, em 31 de dezembro do ano passado, dos 1,8 milhão de votantes sulmatogrossenses 974.021 são mulheres e 897.031 homens. Elas representam, portanto, quase 53% dos votos sulmatogrossenses. No entanto, esta maioria não está refletida nem de longe na proporção representativa dos cargos do Executivo (Governo e prefeituras) e Legislativo (Assembleia e Câmaras de Vereadores).

O predomínio do eleitorado feminino repete-se nas últimas eleições, porém são os homens que continuam controlando a maioria dos cargos. Nas disputas de 2014 elas conquistaram apenas três das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa e apenas uma das oito vagas da Câmara dos Deputados. Para contrabalançar, essa proporção só melhorou nas eleições ao Senado, quando Simone Tebet (PMDB) conquistou a única vaga que estava em disputa, concorrendo contra cinco candidatos do sexo masculino.

MAIS ESPAÇOS – Ao contrário de Campo Grande, que dos 29 vereadores eleitos de 2016 apenas dois são do sexo feminino, outros contextos de ascensão feminina se multiplicam no interior de Mato Grosso do Sul. Porto Murtinho, por exemplo, tem cinco mulheres numa câmara de 11 cadeiras. Além disso, na semana passada o prefeito Derlei Delevatti (PSDB) nomeou Sônia Ferreira e Isabel Fróes para as secretarias de Governo e de Infraestrutura. Com isso, chegou a quatro o total de mulheres em um total de nove cargos de primeiro escalão.

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