Pré-candidato do PDT ao governo de Mato Grosso do Sul, o juiz federal aposentado Odilon de Oliveira não abre mão de princípios que, para boa parte de seu partido, inviabilizariam a construção de alianças necessárias para fazer o enfrentamento eleitoral.
Na perspectiva de consolidar seu nome nos diferentes segmentos da sociedade e, com isso, adquirir a mais ampla capilaridade para disputar a sucessão estadual, Oliveira sabe que vai precisar de integral adesão do PDT aos valores que considera indispensáveis à sua campanha.
De antemão, o pré-candidato já definiu que não pretende ter no palanque, ao seu lado, figuras carimbadas por grave suspeição da sociedade, especialmente os alvos de investigações policiais e de órgãos de controle que compõem as forças-tarefa de combate à corrupção. Para Oliveira, o apoio da sociedade será suficiente e tornará dispensável fazer alianças que possam desfigurar o perfil de caçador de corruptos que o notabilizou.
Um detalhe, no entanto, cria embaraços e dificuldades para que a direção e lideranças pedetistas venham a digerir a exigência de Oliveira: os partidos, peças fundamentais das alianças que acrescentam competitividade eleitoral, abrigam em seus quadros destacadas personagens com pendências judiciais. E, a rigor, por maior que seja o favoritismo do pedetista, nenhuma força interessada em caminhar consigo estaria disposta a descartar lideranças importantes para habilitar-se a uma coligação formal ou apenas prestar apoio ao projeto do PDT.
Oliveira fechou 2017 assumindo sua pré-candidatura em convenção partidária e ainda celebrou pesquisa do Ipems, divulgada em outubro, na qual lidera as intenções de voto, tecnicamente empatado com o ex-governador André Puccinelli (MDB) e a seis pontos do governador Reinaldo Azambuja (PSDB). Os concorrentes pertencem a dois partidos que, em princípio, não figuram nos planos do PDT para futuras coligações.
Oliveira vem a ser uma opção para legendas que hoje estão ancoradas em outros projetos, como o PSB e o PR, que perfilam na base de sustentação do governo, e PTB, e PHS, inclinado a acompanhar o MDB se Puccinelli for o candidato. Entretanto, prevalecendo a exigência de Oliveira, em tese nenhum desses partidos estaria habilitado a frequentar o palanque pedetista na campanha.
A direção da sigla trabalhista quer encaminhar sobre bases pragmáticas o debate interno sobre tática e estratégia de participação no processo sucessório. Mesmo com Oliveira à frente nas consultas de intenção de voto, desenha-se uma eleição de dois turnos. E nesse contexto as alianças conferem peso diferenciado a uma disputa cuja balança vai pender para a candidatura que gozar, entre outras condições, de uma inserção mais intimista em redutos cativos de políticos tradicionais – exatamente aqueles que, em expressiva parcela, desgastados pelas demandas judiciais, não interessam a Oliveira em seu círculo de aliados.
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