Um fortíssimo esquema de segurança está sendo montado em todo o País como forma de prevenir e coibir atos de violência e vandalismo na próxima quarta-feira 24, dia do julgamento do ex-presidente Lula em Porto Alegre (RS). Manifestações contra e a favor do petista estão programadas a partir de segunda-feira, 22.
Lula foi condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e meio de prisão, acusado de receber um apartamento como propina da empreiteira OAS. Agora, vai ouvir o veredito em segunda instância, tendo como julgadores três juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre.
O ambiente que antecede o julgamento já era nervoso desde o ano passado. E ficou ainda mais tensionado após o agravamento da crise política no Congresso Nacional, com a dificuldade do presidente Michel Temer de fechar os votos necessários à reforma da Previdência, e principalmente pelas declarações incendiárias de dirigentes e lideranças partidárias e sindicais contra e a favor de Lula. Foram declarações dele e da presidenta nacional de seu partido, a senadora Gleisi Hoffmann (PT/PR), duas das mais recentes contribuições ao acirramento das tensões.
Hoffmann disse, em entrevista ao Portal 360, não acreditar que uma possível prisão do ex-presidente seria aceita sem resistência: “Para prender o Lula vai ter que prender muita gente. Mais do que isso, vai ter que matar gente”. Em seguida, fez a ressalva, salientando que o partido radicalizou o discurso nos últimos dias porque tem o direito de indignar-se contra as injustiças. Não adiantou o remendo. O que ficou foi a frase em que cabe uma interpretação de resistência pela força.
A grande imprensa e os adversários do PT, com forte presença nas mídias sociais, se encarregaram de fazer da declaração da senadora uma espécie de declaração de guerra, prontamente aceita. Para completar, na noite de terça-feira, 16, em um ato popular no Rio de Janeiro, quando recebeu a solidariedade e o apoio de dezenas de artistas, intelectuais e sindicalistas, Lula discursou criticando o presidente do TRF-4, desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, e disse que o juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato, deveria ser exonerado a bem do serviço publico.
“Não vou falar mal dos juízes de Porto Alegre porque não os conheço. Acho estranho o presidente do tribunal não ter lido a sentença e ter falado que era irretocável. Estranhei um desembargador ler não sei quantas mil páginas em poucos dias. Mas existe a leitura dinâmica, pode ser”, disparou Lula. “E me chamou atenção esse cidadão ir a Brasília pedir proteção da Suprema Corte, no Temer, no Etchegoyen, sem dizer quem está ameaçando. Esse cidadão é bisneto do general Thompson Flores, que invadiu Canudos e matou Antônio Conselheiro. É da mesma linhagem. Quem sabe esteja me vendo como cidadão de Canudos”, completou.
SERENIDADE – Apesar da possibilidade de confrontos, tendo em vista a convocação de manifestações de rua nas principais cidades brasileiras – em Campo Grande, inclusive -, as lideranças nacionais, governadores, prefeitos e dirigentes classistas em geral procuram acalmar os ânimos. Os presidentes do Senado e da Câmara, Eunício Oliveira (MDB) e Rodrigo Maia (DEM), por exemplo, estão mantendo contato com colegas do Congresso Nacional pedindo que em seus estados apelem ao bom-senso e ao espírito democrático da população.
Se a sentença de Moro for mantida por unanimidade em Porto Alegre, Lula terá os seus direitos políticos suspensos, porém o partido já anunciou que mesmo assim tem o direito de inscrever sua candidatura à presidência da Republica logo que abrir o período de registros. Há quem afirme que dois dos três juízes do TRF-4 votarão com a sentença de Moro e um deles pode impedir a unanimidade. Se o resultado for 2 a 1, ainda que perca o ex-presidente estará garantido no direito de recorrer da decisão no STF. Mas qualquer placar desfavorável à sentença de Moro mantém os direitos políticos de Lula, que ainda responde a outros cinco processos.
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