Mais um caso de suicídio choca sociedade e alarma especialistas

Jovens tiram a vida num Estado que tem a segunda taxa de ocorrências no Brasil

05 FEV 2018 Por Rádio Jota FM/Edson Moraes 13h16

Na semana passada, Danielly Cunha, uma estudante de 17 anos, morreu após ingerir mais de 50 comprimidos e cortar os pulsos. Nesta segunda-feira, outro jovem, Guilherme Rodolfo Reich, tirou a própria vida. Os dois casos, ocorridos em Campo Grande, estão entre tantos que fazem de Mato Grosso do Sul um dos estados brasileiros com taxas alarmantes de suicídio, sobretudo de jovens.

Danielly e Guilherme eram saudáveis, tinham família e não viviam problemas financeiros ou de relações amorosas frustradas. A jovem estudante gostava de literatura e, segundo a mãe, fazia planos para o futuro. Havia terminado um relacionamento, mas não aparentava traumas por causa disso. Ele, um jovem pecuarista, de família abastada, criadora de gado da raça senepol e dona de vários imóveis, entre os quais o prédio do Edifício Golden Class e fazendas. Estava com apenas nove meses de casado.

A depressão pode ter levado os dois jovens a cometer o ato extremo. E ela está na raiz de um preocupante quadro social no mundo.  Há quem não aprove a divulgação de casos de suicídio, por entender que serve de gatilho para quem vê neste gesto uma forma de chamar a atenção. No entanto, é exatamente para prevenir que estas e outras situações semelhantes se repitam e se multipliquem, muitas vezes por motivações que poderiam ser evitadas com uma conversa ou outras formas de prevenção.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio e a cada três segundos registra-se uma tentativa. Um levantamento feito em 2012 apurou que no planeta uma média de 804 mil pessoas se mata anualmente, sendo 11.821 casos no Brasil.

Mato Grosso do Sul é o segundo Estado brasileiro com mais suicídios entre os jovens dos 15 aos 29 anos de idade e quatro entre cada dez pessoas que tiraram a vida no Estado são jovens dessa faixa etária. Em Campo Grande, só no primeiro trimestre do ano passado a Secretaria de Saúde registrou 220 tentativas, sendo que 126 eram jovens, 11 adolescentes, 163 mulheres 57 homens.

Preocupados com esses números, os deputados estaduais Mara Caseiro e Professor Rinaldo Modesto (PSDB) convocaram a audiência publica realizada na Assembleia Legislativa durante o chamado “Setembro Amarelo”, campanha nacional criada para alertar, conscientizar e mobilizar a sociedade em ações educativas e preventivas. A campanha está fundamentada em conclusões de especialistas, segundo as quais nove entre 10 casos de suicídio poderiam ser evitados.

No Brasil, o suicídio já é um problema de saúde publica. As famílias precisam derrubar tabus e despertar a atenção para a importância de avaliar as relações e os comportamentos de todos os seus membros, sobretudo os que convivem sob o mesmo teto. José Manoel Bertolote, professor da Universidade Estadual de São Paulo (USP) e um dos maiores especialistas da área, afirma que em 90% dos casos os suicídios estão associados a transtornos mentais, são diagnosticáveis e podem ter tratamento.

Para contribuir com a prevenção, um papel fundamental é exercido por serviços especializados como o Centro de Valorização da Vida (CVV), que pelo telefone 188 oferece gratuitamente apoio social e orientação gratuitos. O CVV também está acessível na Internet, por meio do seguinte endereço eletrônico: cvv.org.br 

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