Deputados estaduais de quatro partidos reverberam pensamento majoritário na Assembleia Legislativa e não admitem chance alguma de a campanha eleitoral interferir no exercício das atribuições constitucionais do Parlamento. Para Amarildo Cruz (PT), Eduardo Rocha (MDB), Renato Câmara MDB) e Beto Pereira (PSDB) o ano será profícuo e sem rupturas na AL-MS.
“Há desafios complexos e de grande dimensão, reconheço. É um ano em que demandas de grande impacto social e econômico se acumulam, como a Copa do Mundo de Futebol, as eleições gerais e a intrincada agenda político-legislativa de combater a crise e fazer as reformas”, descreve Amarildo. E ressalva: “É um ano divisor de águas e precisamos desempenhar o mandato da melhor maneira. Vai dar mais trabalho, acúmulo de agendas. Tem que ir ao interior, voltar, participar de atos eleitorais, fazer o mandato andar, apreciar votos, apresentar projetos. Ainda assim, não vamos confundir atribuições. Há que ser respeitada a distância entre o papel legislativo e o papel eleitoral”.
Amarildo raciocina que o quadro político é desafiador não só para o PT, mas para toda a sociedade. Observa que na maior parte do mundo – com o Brasil incluso – aconteceu uma guinada à direita. Porém, acredita, não será duradoura. “Eu acho que essa onda à direita, de preconceito, de intolerância, de ódio, já foi bem pior. Acredito, e luto por isso, que a dignidade humana vai recuperar seu poder no discurso e no pensamento do conjunto da sociedade”, prevê.
O petista assegura que já existe um esvaziamento de teses e expressões de extremo conservadorismo, exemplificando com o discurso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC/RJ), pré-candidato à presidência: “Ele [Bolsonaro] ganhou, de fato, visibilidade muito forte, passou a representar todos os segmentos que se opõem à esquerda e ao PT. E só isso. Hoje já está cada vez mais revelada a falta de consistência no que ele prega, a cada momento se contradiz, defende a ética mas se contradiz ao confessar que cometeu e que comete várias transgressões. Não vai resistir aos primeiros debates, é oco”.
JUSTIÇA SOCIAL – O emedebista Renato Câmara aponta sua expectativa na ampliação de conquistas sociais em 2018, por entender que a própria conjuntura eleitoral contribuirá com a aceleração de novas medidas institucionais para garantir direitos ainda represados. “É o esforço que vamos redobrar neste último ano do primeiro mandato”, avisa.
“Torna-se questão de primeira necessidade completar o que já está em andamento. Iniciamos nos anos anteriores alguns encaminhamentos práticos que precisam ser consolidados. É o caso da regularização fundiária, cuja Frente Parlamentar tenho a honra de presidir”, menciona, dizendo ter certeza que a Assembleia vai dar ao governo todos os mecanismos para atender em definitivo esta demanda.
Câmara argumenta que os pequenos produtores, os assentados e a população que pratica a agricultura familiar precisam ser reconhecidos formalmente como responsáveis legais nas terras que cultivam. “Sem as escrituras ficam à margem de programas federais, não conseguem financiamentos, excluídos do cenário de benefícios e incentivos direcionados a esta ampla e numerosa faixa de produtores brasileiros”, reforça.
Beto Pereira faz avaliação semelhante à dos colegas. Infere que se em toda sua existência a Assembleia Legislativa nunca perdeu sua autonomia e nem permitiu interferência eleitoral em suas prerrogativas institucionais, não há razão para cogitar que neste ano será diferente, apesar da previsão de disputas eleitorais e políticas mais acirradas. "Vamos exercer nossas atribuições com a responsabilidade que define nossos compromissos com a população e com os atributos da democracia", promete.
Pré-candidato a deputado federal - assim como Eduardo Rocha -, o tucano está convicto que as prioridades confiadas pelo Estado ao Parlamentoserão respondidas com espírito publico e no amparo do debate democrático. "O legislativo nunca deixará de ser o guardião e o transmissor da vontade popular", definiu Beto.
Eleições 2026 MS mobiliza 3,3 mil profissionais para reforçar segurança no segundo turno presidencial
ENTREVISTA Gianni Nogueira defende transparência nas filas da saúde em MS
ALERTA El Niño pode provocar onda de calor e chuvas irregulares em MS
AGRICULTURA MS exige cadastro de lavouras de mandioca para prevenir vassoura-de-bruxa