Autoridades investigam caso inédito de anomalias congênitas em bebê com Oropouche

A mãe do bebê teve sintomas da doença no segundo mês de gestação e transmitiu para a criança. O bebê tinha microcefalia, malformação das articulações e outras anomalias graves, e veio a óbito com 47 dias de vida

13 AGO 2024 Por Redação Sidrolândia 12h50

O Ministério da Saúde registrou, semana passada, um caso inédito de um bebê nascido com anomalias congênitas associadas à transmissão vertical do vírus Oropouche no estado do Acre. O recém-nascido, que veio a óbito após 47 dias de vida, apresentou microcefalia, malformação das articulações e outras anomalias graves. A mãe, de 33 anos, relatou sintomas como rash cutâneo e febre no segundo mês de gestação. Exames laboratoriais realizados após o parto confirmaram a presença do vírus Oropouche.

Os testes, conduzidos pelo Instituto Evandro Chagas (IEC/SVSA/MS), em Belém, detectaram material genético do vírus em diversos tecidos do bebê, descartando outras hipóteses diagnósticas. Entretanto, a correlação direta entre a transmissão vertical e as anomalias observadas ainda exige uma investigação mais aprofundada, que está sendo conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com a Secretaria de Saúde do Acre.

Diante da gravidade e do ineditismo do caso, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, está coordenando reuniões com especialistas e gestores para discutir as implicações desse novo cenário. Um seminário científico nacional está previsto para a próxima semana, visando debater as descobertas e estratégias de enfrentamento da doença.

O aumento na detecção de casos de Oropouche no Brasil em 2024 está relacionado à nova estratégia do Ministério da Saúde, que expandiu os testes diagnósticos para todos os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) do país. Anteriormente, esses exames eram restritos à região Amazônica. Com essa ampliação, foram registrados 7.497 casos de Oropouche em 23 estados brasileiros até o início de agosto.

Para enfrentar o avanço da doença, o Ministério da Saúde emitirá uma nota técnica com orientações para a prevenção e manejo da doença, especialmente para gestantes e recém-nascidos. A nota incluirá recomendações de proteção individual e coletiva, além de diretrizes para o atendimento de casos suspeitos.

A situação do Oropouche está sendo monitorada em tempo real pela Sala Nacional de Arboviroses, e um Plano Nacional de Enfrentamento às Arboviroses, incluindo a Oropouche, será publicado nos próximos dias. Enquanto isso, estudos científicos continuam sendo realizados em parceria com a Fiocruz e outras instituições para entender melhor o vírus e desenvolver estratégias de controle mais eficazes.

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