Alvos do Gaeco vendiam armas e drogas de dentro de presídios em ação com o PCC

Foram cumpridos mandados em Campo Grande, Aquidauana e Bonito; no geral, operação cumpre mais de 70 mandados em MS, SC e SP

07 NOV 2025 Por Assessoria 17h14

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (7), a Operação Blindagem, que tem como alvo uma organização criminosa envolvida com o tráfico de armas e drogas. A ação cumpriu mandados em sete cidades de Mato Grosso do Sul, além de municípios de São Paulo e Santa Catarina.

Ao todo, foram executados 35 mandados de prisão preventiva e 41 de busca e apreensão em Campo Grande, Aquidauana, Sidrolândia, Jardim, Bonito, Ponta Porã e Corumbá, além das cidades de Porto Belo e Balneário Piçarras, em Santa Catarina, e Itanhaém e Birigui, em São Paulo.

Segundo o Gaeco, o grupo mantinha uma estrutura complexa, operando o tráfico interestadual de drogas e praticando crimes como corrupção ativa e passiva, usura, comércio ilegal de armas e lavagem de dinheiro. A organização era chefiada de dentro de presídios e contava com uma extensa rede de colaboradores em Mato Grosso do Sul e em outros estados.

As investigações, conduzidas ao longo de 25 meses, apontam que o grupo utilizava diferentes métodos para transportar entorpecentes, entre eles caminhões com fundos falsos, que escondiam drogas em meio a cargas lícitas acompanhadas de notas fiscais, dificultando a fiscalização. Também foram identificados envios de drogas pelos Correios, via Sedex, e transporte em veículos de passeio, utilitários e vans com passageiros.

A apuração revelou ainda a ligação direta da organização com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Membros da facção paulista dariam suporte logístico e estratégico, além de determinar punições violentas contra quem deixasse de cumprir acordos financeiros com o grupo. Foram identificadas práticas de extorsão, ameaças e sequestros relacionados à cobrança de dívidas provenientes do tráfico e da agiotagem.

O nome “Blindagem” faz referência à rede de proteção obtida pela quadrilha dentro do sistema prisional. De acordo com o Gaeco, servidores corrompidos facilitavam a permanência dos líderes em unidades de menor segurança, realizavam transferências de presos conforme interesses do grupo e repassavam informações sigilosas sobre movimentações internas e dados restritos de bancos públicos.

Leia Também