Demanda recorde por identidade expõe impasse entre municípios e gestão estadual

Nas feiras, mutirões e ações de cidadania, a emissão do documento se tornou o serviço mais requisitado pela população

26 NOV 2025 Por Tony Feitosa 16h25

O serviço de identificação civil é, há anos, um dos mais procurados pela população sul-mato-grossense, sendo que, agora, com a implementação da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN), essa demanda explodiu. Em Mato Grosso do Sul, o volume de atendimentos cresceu mais de 60% e, em algumas regiões do Estado, a busca triplicou. Nas feiras, mutirões e ações de cidadania, a emissão do documento se tornou o serviço mais requisitado pela população.

Nos municípios, o atendimento faz parte das políticas prioritárias das prefeituras, que investiram em estrutura, equipamentos e logística para garantir o funcionamento dos postos de identificação. Não por acaso, os gestores municipais reconhecem a importância estratégica do serviço — não apenas para o cidadão, mas também para o planejamento local.

Apesar disso, prefeitos de diversas regiões têm demonstrado crescente insatisfação com a condução estadual da política de atendimento. A queixa central envolve a retirada de servidores responsáveis pelo atendimento de dentro das delegacias onde, historicamente, estão lotados. Segundo relatos, a medida vem sendo adotada sem diálogo com os municípios e sem considerar estruturas já prontas, investimentos locais e especificidades regionais.

Fotos: Saul Schramm/Governadoria

A tensão gerada já resultou em ofício encaminhado ao governador solicitando que as decisões sobre alocação dos postos sejam descentralizadas e passem a considerar a realidade municipal. Na avaliação dos prefeitos, ninguém está mais preparado para definir o local adequado de atendimento do que quem administra a própria cidade.
Com o cenário eleitoral se aproximando, o tema ganha ainda mais relevância política. Gestores municipais esperam sensibilidade, diálogo e alinhamento para evitar a mudança abrupta de um serviço essencial e cada vez mais indispensável à população de MS.

Danielle Bueno

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