Bioparque Pantanal registra reprodução de 100 espécies e amplia banco genético vivo

Marco inclui 29 reproduções inéditas no mundo e 20 no Brasil, além de espécies ameaçadas de extinção, reforçando o papel científico e de conservação do maior aquário de água doce do planeta

05 MAR 2026 Por Redação Jota FM 15h57

O Bioparque Pantanal registrou a reprodução natural de 100 espécies diferentes sob cuidados humanos. O resultado coloca o empreendimento como o único aquário do mundo a alcançar esse número nessas condições. O marco reforça o papel da instituição na conservação da biodiversidade aquática.

Das 100 reproduções registradas, 32 são de espécies do bioma Pantanal. O número representa a maior participação entre todos os biomas contemplados. O dado evidencia o foco da instituição na preservação da maior planície alagável do mundo.

Outros biomas também tiveram espécies reproduzidas no complexo. Foram registradas 31 reproduções de espécies da Amazônia e 21 do Cerrado. O levantamento inclui ainda três espécies da Mata Atlântica e uma da Caatinga.

A diversidade também contempla espécies de outros continentes. O levantamento aponta oito espécies africanas, uma asiática e uma mexicana. Também foram registradas duas espécies da Oceania.

Entre as 100 reproduções, 29 são consideradas inéditas no mundo. Outras 20 ocorreram pela primeira vez no Brasil. Os resultados ampliam o reconhecimento internacional do aquário no campo da pesquisa e da conservação ex situ.

A centésima reprodução foi de um acará-porquinho mantido no plantel do Bioparque. O registro simboliza o avanço das ações de manejo e conservação desenvolvidas no espaço. A espécie integra o conjunto de animais utilizados em pesquisas e programas de educação ambiental.

Três espécies reproduzidas são classificadas como ameaçadas de extinção. Entre elas está o cascudo-viola, peixe endêmico do rio Coxim, no interior de Mato Grosso do Sul. A reprodução da espécie é considerada inédita no mundo.

Também foi registrada a reprodução do cascudo-cego, espécie adaptada a ambientes subterrâneos. O animal é sensível a alterações ambientais e depende de condições específicas para sobreviver. O resultado amplia o conhecimento científico sobre a espécie.

Outro destaque é o axolote, anfíbio originário do México conhecido pela capacidade de regeneração. A espécie desperta interesse do público jovem e também é objeto de pesquisas científicas. A presença do animal reforça o caráter educativo do Bioparque.

Grande parte das reproduções ocorre no Centro de Conservação de Peixes Neotropicais. O espaço funciona como um berçário dentro do complexo de água doce. A estrutura reúne equipe técnica especializada e protocolos científicos de manejo.

Segundo a diretora-geral do Bioparque, Maria Fernanda Balestieri, o resultado reflete o trabalho desenvolvido pela equipe. “Esse número representa muito mais do que um resultado técnico. Ele simboliza ciência aplicada, cuidado com a vida e compromisso com a conservação da biodiversidade”.

A diretora também destacou o papel do espaço na conscientização ambiental. “Quando a população conhece, se encanta e entende a relevância dessas espécies, cria-se uma rede de cuidado e preocupação com o meio ambiente”. A afirmação reforça o papel educativo do empreendimento.

O biólogo curador do Bioparque, Heriberto Gimênes Junior, explicou que a maioria das reproduções ocorreu de forma natural. Segundo ele, 95% dos casos não utilizaram hormônios ou qualquer tipo de indução. O método busca manter o comportamento natural das espécies.

Heriberto também destacou o valor científico do material produzido. Segundo ele, ovos e filhotes servirão de base para pesquisas e publicações científicas. O biólogo afirmou que os resultados reforçam o potencial do Bioparque como espaço de turismo científico e produção de conhecimento.

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