O avanço da citricultura em Mato Grosso do Sul motivou um debate na Assembleia Legislativa (ALEMS) sobre a necessidade de combater e erradicar árvores de murta em todo o Estado. A preocupação é que a planta sirva de hospedeira ao inseto transmissor do greening, doença que ameaça plantações de laranja e outras frutas cítricas.
Durante a sessão plenária de terça-feira (20), o deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB), primeiro-secretário da ALEMS, apresentou uma indicação ao Governo do Estado, à Secretaria de Meio Ambiente e à Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro), solicitando um levantamento e a elaboração de um plano para a supressão e substituição das árvores.
Segundo o parlamentar, a presença da murta pode comprometer a expansão da citricultura sul-mato-grossense, atividade considerada estratégica para a diversificação econômica e a geração de empregos.
“É necessário uma caça à murta, isso tem que ser feito tecnicamente com a participação da Semadesc e da Iagro”, afirmou Paulo Corrêa durante o debate.
Greening ameaça plantações de citros
A murta é uma planta ornamental bastante utilizada em áreas urbanas, conhecida pelas pequenas flores brancas e perfumadas. Entretanto, ela pode hospedar o psilídeo-dos-citros (Diaphorina citri), inseto que transmite a bactéria causadora do greening, também conhecido como HLB.
A doença provoca o enfraquecimento das árvores, reduz a produtividade e pode levar à perda dos pomares. Atualmente, não existe cura para plantas infectadas, o que torna fundamentais as medidas de prevenção e controle do inseto vetor.
Paulo Corrêa defendeu um plano de manejo que envolva também os municípios, com orientação técnica e conscientização da população sobre os riscos associados à planta.
Deputados apoiam iniciativa
O deputado Pedrossian Neto (PSD) manifestou apoio à proposta e destacou a importância da citricultura para o desenvolvimento econômico estadual. Segundo ele, Mato Grosso do Sul reúne condições favoráveis para ampliar a produção de laranja e atrair investimentos.
Já o deputado Junior Mochi (MDB) também pediu para subscrever a indicação e lembrou a tradição familiar na produção de frutas cítricas. Para ele, a atividade tem potencial para ampliar a oferta de empregos, especialmente nas etapas de cultivo e colheita.
Citricultura pode diversificar economia estadual
Durante o pronunciamento, Paulo Corrêa mencionou a expansão dos plantios de laranja e a possibilidade de instalação de uma fábrica de suco no Estado, caso a produção alcance escala suficiente.
A proposta de combate à murta busca reduzir riscos sanitários e criar condições para a expansão segura da atividade. Eventuais medidas de erradicação deverão considerar orientação técnica, planejamento e substituição das árvores por espécies adequadas.
A iniciativa integra a estratégia de diversificação econômica de Mato Grosso do Sul, tradicionalmente concentrada na pecuária e na produção de grãos, com a perspectiva de ampliar investimentos e oportunidades de trabalho no setor agrícola.
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