Uma investigação sobre fraude em licitação levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul a descobrir outro esquema criminoso. As apurações identificaram a atuação de um advogado ligado ao Primeiro Comando da Capital. Cinco pessoas foram denunciadas à Justiça.
O caso é um desdobramento da Operação Sommelier, deflagrada em junho de 2024. A ação tinha como objetivo apurar irregularidades em licitações no município de Itaporã. Durante buscas, surgiram indícios de crimes distintos dos inicialmente investigados.
As evidências foram encontradas na residência de um advogado alvo de mandado judicial. O material apreendido indicou ligação com uma estrutura criminosa organizada. A atuação envolvia tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia, o advogado utilizava a prerrogativa profissional para atuar como mensageiro da facção. Ele transportava recados ilícitos entre lideranças presas e integrantes em liberdade. As mensagens eram conhecidas como “salves”.
As investigações apontam que o advogado integrava o núcleo chamado “Sintonia dos Gravatas”. O grupo era responsável por organizar a assistência jurídica da facção. Também repassava ordens de líderes presos e soltos.
As diligências ocorreram em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina. As ações foram autorizadas judicialmente. O objetivo foi reunir provas da atuação interestadual do grupo.
A acusação indica que o advogado mantinha contato com líderes do PCC no Estado. Um deles já teria sido investigado por envolvimento em plano de atentado contra autoridades. As comunicações incluíam outros profissionais do Direito ligados à facção.
Para dificultar a identificação, o advogado usava contas falsas em aplicativos de mensagens. Os perfis estavam registrados com nomes fictícios. A estratégia buscava ocultar a autoria das comunicações ilícitas.
Além da atuação jurídica irregular, o advogado também é acusado de operar o transporte de drogas. A denúncia aponta envio semanal de cocaína para outros estados. A droga era escondida em compartimentos de veículos.
O investigado foi preso em flagrante em outubro de 2024, no interior de São Paulo. Ele dirigia um veículo com 22 quilos de pasta-base de cocaína. A droga estava oculta no tanque de combustível.
Após a prisão, houve condenação por tráfico de drogas. A pena foi fixada em mais de seis anos de reclusão em regime fechado. O condenado cumpre pena no interior paulista.
A nova denúncia tramita na 3ª Vara Criminal de Campo Grande. O processo inclui ainda uma mulher apontada como responsável pela gestão financeira do tráfico. Ela está foragida.
Outros três integrantes da facção também foram denunciados. Um deles está preso em Campo Grande. Os outros dois seguem foragidos da Justiça.
O Ministério Público pede a condenação dos envolvidos por organização criminosa. Também solicita punição por tráfico interestadual, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. O caso segue em análise pelo Judiciário.
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