O candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul Delcídio do Amaral (PRD) defendeu a retomada da antiga Ferrovia Noroeste do Brasil como principal eixo ferroviário de uma rota bioceânica entre o Atlântico e o Pacífico. Durante entrevista ao Jornal Ronda do MS nesta terça-feira (15), ele afirmou que a recuperação da ferrovia, integrada às redes ferroviárias da Bolívia e do Peru, teria potencial para ampliar o transporte de cargas e a competitividade do Estado.
Delcídio também apontou saúde, educação, segurança pública e tecnologia como prioridades para uma eventual gestão e criticou o que considera atraso de Mato Grosso do Sul em relação ao desenvolvimento de outros estados. Ao longo da entrevista, ele ainda respondeu a perguntas de correspondentes de Ivinhema, Sidrolândia, Coronel Sapucaia, Aparecida do Taboado e Bataguassu sobre conectividade, BR-060, saúde regional, energia, turismo e desenvolvimento econômico.
“A bioceânica definitiva, ela nasce em Santos, cruza São Paulo, entra em Três Lagoas, passa por Água Clara, Ribas do Rio Pardo, Campo Grande, Aquidauana, Miranda, Corumbá”, afirmou. Segundo ele, o trajeto aproveitaria a antiga estrutura ferroviária até a fronteira e permitiria a integração com o sistema boliviano em direção ao Pacífico.
“A grande vantagem dessa ferrovia é que você já tem o traçado”, disse o candidato. Delcídio explicou que a proposta exigiria a recuperação da via e dos dormentes, além da instalação de um terceiro trilho para adequar a bitola ao transporte de grandes cargas.
“Eles vão ter que recuperar dormente, os dormentes estão podres, dormente de madeira”, afirmou. A estimativa inicial apresentada pelo candidato é de aproximadamente R$ 12 bilhões para a recuperação do trecho e adequação da estrutura ferroviária.
Para Delcídio, a ferrovia deveria ser integrada também às hidrovias existentes em Mato Grosso do Sul. “O rio Paraguai vai ser absolutamente importante no meio desses modais de transporte que nós falamos, porque você vai integrar com a ferrovia o rio Paraguai, o rio Paraná”, declarou.
O candidato defendeu ainda investimentos na hidrovia do Paraguai, especialmente na região de Corumbá, onde citou a necessidade de intervenções para permitir o transporte de cargas. “Em vários trechos você precisa corrigir o leito para permitir exportação e importação, através da produção de minério de ferro, lá na Serra do Urucum”, afirmou.
Na avaliação de Delcídio, uma infraestrutura integrada poderia ampliar a geração de empregos e a atividade econômica em Mato Grosso do Sul. “Se você imagina com infraestrutura, que é o grande desafio, de Mato Grosso do Sul, o que isso pode representar em termos de geração de riqueza, geração de empregos e com impactos diretos na nossa economia”, disse.
O candidato também citou saúde, educação e segurança pública entre as prioridades para uma eventual gestão e defendeu o uso de tecnologia nesses setores. “Hoje, quem não abraçar a tecnologia não vai para lugar nenhum”, afirmou.
Ao falar sobre o Pantanal, Delcídio defendeu uma estrutura permanente para prevenção e combate às queimadas. “Por que nós não montamos uma estrutura apropriada, e nós temos militares, bombeiros, competentes, para atacar essa questão das queimadas no Pantanal?”, questionou.
Sobre a tempestade que atingiu Campo Grande, o candidato criticou a situação de infraestrutura da Capital e defendeu maior preparação para eventos climáticos. “Nós não podemos, numa cidade como Campo Grande, ela não pode passar pelo que passou nesses últimos dias”, afirmou.
Na participação de Ivinhema, a correspondente Deni Silva questionou o candidato sobre conectividade nas comunidades rurais do Vale do Ivinhema. Delcídio respondeu que pretende utilizar a infraestrutura existente das linhas de energia para ampliar o acesso à internet.
“Nós vamos usar essa mesma estrutura para levar sinal de internet”, afirmou. Segundo ele, a conectividade seria necessária para ampliar o uso de tecnologia em áreas como educação, saúde, automação e segurança pública.
A correspondente Dulce Maria, de Sidrolândia, perguntou sobre a duplicação da BR-060 entre Campo Grande e o município, além de outras intervenções na rodovia. “Esses projetos todos exigem uma atuação forte no governo federal”, afirmou Delcídio, que defendeu articulação entre o Estado e a União para viabilizar os investimentos.
O candidato também disse que o orçamento estadual não seria suficiente para bancar sozinho obras de grande porte. “Pelas contas hoje do governo de Mato Grosso do Sul, nós só temos 6,4% da receita líquida para investir”, afirmou.
De Coronel Sapucaia, Emerson Silva questionou como reduzir a necessidade de moradores da região percorrerem longas distâncias em busca de atendimento médico especializado. Delcídio defendeu a regionalização da saúde e afirmou que a medida deve ser acompanhada pela incorporação de novas tecnologias.
“A prioridade que eu vou adotar é efetivamente a regionalização da saúde no Estado, que até então não aconteceu”, declarou. Ele também defendeu um tratamento específico para a região de fronteira em áreas como saúde e segurança pública.
Na pergunta de Nilda Telles, de Aparecida do Taboado, o candidato falou sobre o potencial de geração de energia solar e de biomassa na região do Bolsão. “Nós precisamos, eu insisto nisso, nós temos que investir no planejamento para que isso não aconteça”, afirmou, referindo-se aos problemas de transmissão que, segundo ele, têm limitado o aproveitamento da geração solar.
Delcídio também defendeu a ampliação da infraestrutura de transmissão para acompanhar a expansão das usinas de energia renovável. “O pior, o sistema de transmissão não suportou o despacho das usinas solares”, disse.
Na participação de Rômulo Porto, de Bataguassu, o candidato foi questionado sobre projetos para estimular o turismo na região. Delcídio destacou a localização do município na divisa com São Paulo e às margens do Rio Paraná e afirmou que a cidade pode se transformar em um polo de desenvolvimento.
“Eu vejo Bataguassu como um grande centro de desenvolvimento, um polo de desenvolvimento que passa pelos modais de transporte que estão aí na cara de Bataguassu”, afirmou. Ele também citou a possibilidade de retomada do projeto de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) no município.
Ao responder sobre o esporte, Delcídio apresentou a proposta de incentivar empresas a patrocinarem clubes de Mato Grosso do Sul por meio de mecanismos de incentivo fiscal. “É você criar meios de atrair essas grandes empresas a patrocinar esses times”, afirmou.
O candidato citou experiências anteriores de investimentos em estruturas esportivas e defendeu a participação da iniciativa privada no futebol estadual. “Você tem uma participação do Estado, mas vamos atrair os investidores privados”, disse.
Na avaliação de Delcídio, o potencial esportivo do Estado não corresponde aos resultados obtidos pelos clubes locais. “Como é que a gente com uma porção de craques nós não conseguimos ter um futebol à altura dos craques que são gerados aqui?”, questionou.
Assista à entrevista completa:

Delcídio Amaral no estúdio da Jota FM em Campo GrandeFoto: Mateus Adriano/Jota FM
ENTREVISTAApós estragos em Campo Grande, Soraya defende união para resposta a temporais
RESCALDOApós vendaval, Câmara cobra medidas para preparar Campo Grande contra eventos extremos
IrregularidadeMPMS apura possível irregularidade em contrato de R$ 136,8 mil em Glória de Dourados
POLÍTICAJustiça nega irregularidades e confirma candidatura de Carlos Bernardo