A 1ª Vara Cível de Corumbá lançou a campanha “Quem tem amor a doar?!”, iniciativa que busca sensibilizar a comunidade sobre a realidade de crianças e adolescentes que vivem em acolhimento institucional e ampliar as possibilidades de adoção e apadrinhamento afetivo.
A mobilização ganha destaque durante a Semana Nacional da Adoção Tardia, período dedicado à desconstrução de estigmas relacionados à adoção de crianças maiores e adolescentes e à conscientização sobre aqueles que permanecem por longos períodos nos serviços de acolhimento.
Atualmente, 45 crianças e adolescentes vivem em unidades de acolhimento nos municípios de Corumbá e Ladário. Desse total, oito estão aptos para adoção, mas apresentam perfis que fogem do padrão mais procurado pelos pretendentes, tradicionalmente concentrado em crianças pequenas, especialmente na primeira infância.
Entre eles estão José, de 6 anos, risonho e alegre; Antônio, 9, companheiro e corajoso; Aninha, 10, bailarina; João, 11, apaixonado por futebol; Marcos, 12, que sonha em ser escritor; Juan, 17, comunicador social; Higor, 13, afetuoso e introspectivo; e Carol, 13, adolescente alegre e carinhosa.
Justiça faz apelo por novas famílias
O magistrado Maurício Miglioranzi, da Comarca de Corumbá, explica que a campanha pretende aproximar a comunidade das histórias dessas crianças e adolescentes e estimular a formação de novos vínculos familiares.
Segundo ele, o objetivo é evitar que eles cresçam no acolhimento institucional sem a oportunidade de construir uma convivência familiar.
“Para que perguntas como ‘para quem vou mostrar minha nota’, ‘quem vai me abraçar quando eu tiver um pesadelo’ ou ‘posso escolher o almoço de domingo’ não fiquem sem resposta, a adesão da comunidade local é fundamental”, afirmou.
A Justiça também busca sensibilizar interessados em adotar para que crianças e adolescentes de Corumbá e Ladário tenham a oportunidade de crescer em um ambiente familiar.
“A maternidade e a paternidade são desejos que podem nascer de diferentes formas. As condições humanas de cada indivíduo não diminuem seu valor. Pelo contrário: são justamente as características e histórias de cada pessoa que tornam cada criança e adolescente único e especial”, complementou o magistrado.
A Semana Nacional da Adoção Tardia reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre os processos de adoção. A proposta é superar a busca por um perfil idealizado e permitir que crianças maiores, adolescentes e aqueles com características específicas também tenham a oportunidade de encontrar uma família disposta a acolher suas histórias.
Formação prepara interessados em adotar
Quem deseja adotar também poderá participar do curso “Preparação à Adoção: Nasce uma Família”, voltado aos pretendentes e destinado à preparação para o exercício responsável da parentalidade adotiva.
A Escola Judicial de Mato Grosso do Sul (Ejud-MS), em parceria com a Coordenadoria da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, realizará a formação entre 1º de outubro e 30 de novembro.
As inscrições estarão abertas de 16 a 27 de setembro, no site da Ejud-MS. O curso será realizado totalmente a distância, com oito turmas e participação de magistrados e servidores do Poder Judiciário como formadores e tutores.
Durante a formação, os participantes poderão refletir sobre aspectos emocionais, sociais e jurídicos envolvidos na construção de uma família por meio da adoção.
O curso terá duração de 60 dias e será dividido em sete módulos, com videoaulas, materiais de leitura, atividades interativas, fóruns de discussão e questionários avaliativos.
Família é direito
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece a convivência familiar como um direito fundamental de crianças e adolescentes. Por isso, a adoção representa não apenas um procedimento jurídico, mas também uma possibilidade de garantir proteção, pertencimento e vínculos afetivos.
Na adoção tardia, crianças e adolescentes já possuem histórias, lembranças, vínculos e experiências que precisam ser respeitados. O processo exige dos pretendentes disponibilidade para conhecer essa trajetória e construir gradualmente uma nova história em conjunto.
A campanha “Quem tem amor a doar?!” busca justamente ampliar esse olhar e combater estereótipos. Crianças maiores, adolescentes, pessoas com deficiência ou com dificuldades de aprendizagem também podem construir vínculos, formar uma família e transformar a vida daqueles que decidirem acolher suas histórias.
Quem deseja adotar ou apadrinhar pode procurar o Fórum da Comarca, que atende das 12h às 18h. O Núcleo Psicossocial é responsável por receber os interessados e avaliar os perfis dos pretendentes e das crianças e adolescentes.
Também é possível obter informações pelos telefones (67) 3234-4513 e (67) 3234-4518, ambos com atendimento pelo WhatsApp.

Campanha busca novas famílias para crianças acolhidas.Divulgação
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