A psicóloga social Márcia Paulino afirmou que a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio representaram avanços na compreensão e no combate à violência contra a mulher, mas que ainda há obstáculos estruturais e culturais para efetivar a proteção das vítimas.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (13), durante entrevista ao podcast Elas Podem Mais, apresentado por Cláudia Costa, na rádio Jota FM.
Segundo Márcia, as leis ampliaram o conceito de violência, incluindo não apenas a física, mas também as violências psicológica, patrimonial, sexual e moral.
Para Márcia, um dos principais desafios é combater a culpabilização da vítima. “É muito difícil uma mulher que sofre violência não carregar algum tipo de culpa. Ainda temos uma sociedade que julga e responsabiliza as vítimas, inclusive nos casos de violência sexual”, afirmou.
A psicóloga também ressaltou que o feminicídio envolve relações de afeto marcadas por menosprezo à condição de mulher. “O feminicídio mostra que essa sociedade não respeita o poder de decisão da mulher sobre a própria vida. Ela corre risco de morte por dizer ‘não quero mais’”, alertou.
Em relação ao atendimento, Márcia apontou que a psicologia social tem papel central no fortalecimento emocional das vítimas e na orientação sobre serviços disponíveis, especialmente nas áreas rurais, onde o acesso é limitado.
Ela orientou que mulheres em situação de violência busquem apoio imediato. “O grande desafio é procurar ajuda. Converse com alguém da sua confiança. É o ponto de partida para encontrar caminhos”, recomendou.
Entre os canais citados, estão o Ligue 180, o 153 e o 190, além do telefone (67) 2020-1300, da Casa da Mulher Brasileira.
Confira o podcast Elas Podem Mais na íntegra:
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