MP investiga uso de ambulâncias alugadas em Campo Grande após doação de novas viaturas

Inquérito apura motivos que levaram à manutenção de contrato de locação mesmo com doze veículos novos parados na base do Samu desde abril deste ano

12 OUT 2025 Por Redação Jota FM 11h30

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para apurar por que a Prefeitura de Campo Grande mantém o uso de ambulâncias alugadas, apesar de já ter recebido 12 viaturas novas doadas pelo Ministério da Saúde.

A investigação é conduzida pela 76ª Promotoria de Justiça de Saúde e foi motivada por representações de dois deputados federais e do Conselho Municipal de Saúde, além de reportagens que denunciaram a inatividade dos veículos novos.

De acordo com os autos, seis ambulâncias foram entregues em dezembro de 2024 e outras seis em abril de 2025, todas emplacadas, asseguradas e prontas para uso. No entanto, vistoria técnica realizada em setembro constatou que seis viaturas permanecem paradas na base do Samu, enquanto cinco ambulâncias alugadas continuam em operação.

O contrato de locação com a empresa responsável foi firmado em julho de 2024, ao custo de R$ 14,2 mil por unidade, totalizando mais de R$ 70 mil por mês, mesmo com decretos municipais de contenção de despesas em vigor.

A Prefeitura alegou falta de equipes para ativar as novas viaturas, mas o MPMS identificou que os mesmos profissionais que atuam nos veículos alugados poderiam ser realocados para as ambulâncias doadas. A Promotoria aponta que a decisão administrativa priorizou a manutenção do contrato, contrariando os princípios da economicidade e eficiência na gestão pública.

O caso ganhou repercussão após uma família ter arcado com custos de transferência de paciente, enquanto as ambulâncias novas permaneciam estacionadas. Segundo o MP, a inatividade prolongada dos veículos pode causar deterioração e desperdício de recursos públicos.

O inquérito civil busca esclarecer os motivos da prorrogação do contrato de locação e verificar a real situação da frota municipal. Foram expedidos ofícios à Prefeitura, à Câmara Municipal e aos parlamentares que apresentaram representação para obter esclarecimentos sobre o caso.

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