Ao abrir a fala na COP15 em Campo Grande, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou o município e o Pantanal no centro do discurso e afirmou que a escolha da capital sul-mato-grossense para sediar a conferência é estratégica por estar na porta de entrada de um dos ecossistemas mais emblemáticos do continente.
Para o presidente, o Pantanal representa de maneira única a riqueza natural da América do Sul e sintetiza o sentido da própria conferência, voltada à proteção das espécies migratórias e dos ambientes que sustentam a vida.
“Organizar este evento em Campo Grande, no estado de Mato Grosso do Sul, é uma escolha estratégica. Estamos na porta de entrada do Pantanal, a maior planície alagável tropical do mundo. Essa região simboliza de forma singular a riqueza natural da América do Sul”, afirmou.
Na sequência, o presidente afirmou que a Convenção sobre Espécies Migratórias carrega uma mensagem direta sobre a forma como a natureza funciona, sem se submeter aos limites políticos entre os países. “A Convenção sobre Espécies Migratórias nos lembra de uma mensagem simples, mas poderosa: migrar é natural”, disse.
Em seguida, aprofundou essa ideia ao associar o deslocamento dos animais à conexão entre ecossistemas espalhados por diferentes partes do planeta. “Ao cruzarem continentes, conectando ecossistemas distantes, essas espécies revelam por que a natureza não conhece limites entre Estados”, afirmou.
O Pantanal sul-mato-grossense é uma das principais rotas da América para aves migratórias, recebendo cerca de 180 a 190 espécies que utilizam a região para descanso e alimentação. Essas aves, muitas vindas do Hemisfério Norte (Canadá e EUA) e outras do extremo sul (Patagônia), passam pelo MS para aproveitar os recursos das áreas úmidas.
O presidente também citou a onça-pintada como exemplo de espécie que percorre grandes áreas preservadas em busca de alimento e segurança para se reproduzir.
“Todos os anos, milhões de aves, mamíferos, répteis, peixes e até insetos atravessam continentes e oceanos. Nessa jornada, conectam ecossistemas, preservam ciclos naturais e ajudam a garantir o equilíbrio que torna a vida possível”, declarou.
Legado
O presidente também lembrou que a convenção foi criada em 1979, antes mesmo da Rio-92, e destacou sua importância na construção da arquitetura internacional voltada ao meio ambiente, ao clima e à biodiversidade. “Essa convenção foi criada em 1979, antes mesmo da Conferência do Rio de Janeiro, em 1992. Ela foi pioneira na construção de uma arquitetura institucional de meio ambiente, clima e biodiversidade”, disse.
Segundo Lula, o trabalho da convenção permitiu o monitoramento de quase 1.200 animais classificados entre espécies ameaçadas e em risco de extinção, além de contribuir para a recuperação de populações como a da baleia-jubarte.
“Seu trabalho permitiu o controle e o mapeamento de quase 1.200 animais, classificados entre espécies ameaçadas e em risco de extinção. Contribuiu para a recuperação da baleia-jubarte, que esteve perto de desaparecer”, afirmou.
O petista apresentou as três prioridades da presidência brasileira da COP15. A primeira é aproximar a agenda da convenção dos princípios já consolidados nas convenções do clima, da desertificação e da biodiversidade. A segunda é criar fundos e mecanismos multilaterais inovadores. A terceira é ampliar a adesão internacional à proteção das espécies migratórias.
O presidente também destacou que o combate a crimes ambientais precisa ocorrer de forma articulada entre os países. “Reconhecemos que o combate a crimes ambientais, como desmatamento, garimpo e tráfico de animais, exige ação coordenada para além de nossas fronteiras nacionais”, afirmou.
No ano passado, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), em parceria com a Polícia Militar Ambiental (PMA) e o Ministério Público Estadual (MPMS), concluiu com sucesso a Operação Libertas 2025, voltada ao combate de crimes contra a fauna silvestre e à fiscalização de criadores de pássaros em todo o Estado.
Os fiscais encontraram irregularidades em 83% das vistorias, o que evidencia a necessidade de ações contínuas de fiscalização e orientação. Ao todo, foram inspecionadas 186 aves, 158 bicudos-verdadeiros, 13 curiós e seis canários-da-terra. Um auto de infração foi lavrado, com multa de R$ 500,00 e apreensão de um curió sem anilha.
Ao fazer um balanço da política ambiental brasileira desde 2023, Lula disse que o país mudou de rumo e passou a tratar a conservação como parte necessária de um projeto de desenvolvimento. “Desde 2023, escolhemos trilhar um novo caminho, guiados pela convicção de que conservar e produzir de forma sustentável não apenas é possível, mas é necessário”, declarou.
Ele também citou resultados apresentados pelo governo. “O desmatamento na Amazônia caiu pela metade. No Cerrado, a queda foi de mais de 30%. Reduzimos as queimadas no Pantanal em mais de 90%”, disse.
No mesmo discurso, Lula anunciou medidas voltadas à ampliação de áreas protegidas, entre elas a expansão do Parque Nacional do Pantanal. “Ampliamos a área do Parque Nacional do Pantanal em 47 mil hectares, elevando a área total protegida para 183 mil hectares”, afirmou. “Vamos continuar, o Pantanal precisa continuar sendo preservado”, explica.
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