O candidato do PT ao Governo de Mato Grosso do Sul, Fábio Trad, defendeu nesta terça-feira (1º) uma mudança no modelo econômico do Estado para aumentar o valor da produção e melhorar a renda da população. Durante entrevista ao Jornal Ronda do MS, ele afirmou que Mato Grosso do Sul não deve depender apenas da exportação de commodities e destacou investimentos em tecnologia e industrialização como caminhos para gerar empregos mais qualificados.
Trad também relacionou a proposta à situação de municípios produtores, como Sidrolândia, onde a produção agropecuária movimenta a economia, mas parte dos produtos deixa a cidade sem passar por processos que agreguem valor.
Segundo o candidato, o Estado precisa ampliar investimentos em agricultura familiar, crédito, assistência técnica, industrialização e inovação para transformar a produção em novas oportunidades de trabalho e renda.
“Não adianta insistirmos nesse modelo agroexportador de commodities, porque isso não oferece melhores condições de remuneração ao nosso povo”, afirmou.
O candidato defendeu a instalação e o fortalecimento de estruturas de inovação, como agtechs, aceleradoras e incubadoras, voltadas ao desenvolvimento de tecnologias para o setor produtivo. Para ele, a industrialização dos produtos primários é necessária para aumentar a qualificação dos empregos e a renda dos trabalhadores.
“Nós temos que acelerar o processo de tecnologia dos nossos produtos primários, através das agtechs, aceleradoras, incubadoras, com empregos qualificados para melhorar a renda do nosso povo”, disse.
Trad citou ainda a produção de eucalipto e a exportação de celulose como exemplo de uma economia que, segundo ele, precisa avançar na cadeia produtiva. “Enquanto a gente plantar eucalipto para exportar celulose para outros países, nós vamos condenar a nossa juventude a um destino de baixíssima qualificação e remuneração”, declarou.
Na entrevista, o candidato também foi questionado sobre as prioridades para Aparecida do Taboado e afirmou que pretende descentralizar o desenvolvimento econômico. Ele disse que a riqueza produzida na Costa Leste precisa permanecer mais na região, com investimentos em qualificação profissional para que moradores ocupem também postos de maior remuneração.
“Os empregos maiores, de maior qualificação, aqueles relacionados à tecnologia, engenharia, estão ficando com gente de São Paulo, de Minas e do Rio. Eu acho isso injusto”, afirmou.
Sobre os conflitos entre produtores rurais e povos indígenas, Trad disse ser contrário a invasões de propriedades privadas, mas defendeu o diálogo entre as partes e a participação do governo federal na busca por acordos. Ele citou indenizações e pagamento por benfeitorias como alternativas para reduzir os conflitos fundiários.
“Eu sou contra a invasão. Eu penso que a invasão em terras produtivas, em propriedades privadas, ela é considerada pela legislação um crime e assim deve ser tratada”, disse.
Na área de infraestrutura, o candidato afirmou que pretende cobrar do governo federal a recuperação de rodovias federais, incluindo a BR-376, no Vale do Ivinhema. Também criticou as condições das rodovias estaduais e defendeu mudanças na aplicação dos recursos do Fundersul.
“Quanto pior a estrada, mais caro o alimento, porque encarece o frete, encarece a logística da produção”, declarou. Segundo Trad, as rodovias federais e estaduais seriam tratadas como prioridades em um eventual governo.
Na saúde, o candidato apresentou como proposta a criação de um sistema de acompanhamento digital das filas de atendimento, com protocolo individual para que o paciente possa consultar sua posição. Ele também defendeu gratificações para fixar médicos especialistas no interior e investimentos nos hospitais das cidades-polo.
“Cada pessoa tem que ter um número de protocolo e ter acesso digital à sua posição na fila”, afirmou.
Para a segurança pública, Trad propôs a criação de agentes comunitários voltados à prevenção da violência doméstica, familiar e infantil. Ele também defendeu a criação do Pelotão da Polícia Militar Maria da Penha, com policiais treinados para atuar no interior do Estado.
“Nós queremos prevenir o feminicídio”, disse. A proposta, segundo ele, prevê visitas a residências em regiões consideradas mais vulneráveis e encaminhamento de possíveis agressores para serviços especializados quando necessário.
Na educação, Trad afirmou que pretende realizar concursos públicos periódicos para reduzir a quantidade de professores temporários. Ele também defendeu a equiparação salarial entre contratados e concursados e afirmou que pretende melhorar a preparação dos estudantes do ensino médio.
“Vamos elevar o nível do ensino médio para que Mato Grosso do Sul tenha jovens capacitados, preparados para os desafios do século XXI”, afirmou.
Ao falar sobre sua candidatura, Trad disse que decidiu disputar o Governo do Estado com o objetivo de retribuir o que recebeu de Mato Grosso do Sul. Ele também afirmou que pretende substituir o modelo de gestão adotado pelo Estado desde 2015 por uma administração que, em sua avaliação, seja mais voltada à distribuição de renda e à redução das desigualdades.
“Nós queremos substituí-lo por um modelo humano, inclusivo de distribuição de renda”, declarou. A entrevista também abordou as diferenças políticas dentro da família Trad, e o candidato afirmou que mantém relação de respeito com familiares que seguem caminhos políticos distintos.
Assista à entrevista completa:

Fábio Trad (PT) participou do jornal Ronda do MS desta terça-feiraFoto: Mateus Adriano/Jota FM
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