Jaime Verruck defende agroindústria, ferrovias e desenvolvimento da fronteira

Candidato do Republicanos falou sobre economia, Rota Bioceânica, Malha Oeste, industrialização, saúde, agricultura e propostas para municípios fronteiriços

08 SET 2026Por Redação Jota FM13h47
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“Processo político se constrói”, afirmou Verruck ao explicar a decisão de deixar o Executivo estadual para disputar uma vaga na Câmara Federal. Segundo ele, a candidatura foi discutida com o governador Eduardo Riedel, o ex-governador Reinaldo Azambuja e a senadora Tereza Cristina, que o incentivaram a levar sua experiência para Brasília. “Acho que a gente tem condições de levar um pouco do que Mato Grosso do Sul fez nesses 10 anos para a Câmara Federal”, disse.

O candidato afirmou que sua campanha pretende apresentar resultados de sua passagem pelo governo e um plano com mais de 40 propostas para o período de 2027 a 2030. Ele também citou sua trajetória pessoal, lembrando que chegou ao Estado ainda criança, estudou em Campo Grande e considera Mato Grosso do Sul sua terra.

Verruck defendeu a continuidade da política de industrialização adotada em Mato Grosso do Sul nos últimos anos. Segundo ele, o Estado precisa avançar na transformação das matérias-primas produzidas localmente para ampliar a geração de empregos e distribuir os efeitos do crescimento econômico para outras cidades. “Nós temos que ser o supermercado do mundo”, afirmou, em referência à necessidade de agregar valor à produção antes da exportação.

Ele citou como exemplos a expansão das indústrias de etanol de milho e celulose e o crescimento dos setores de proteína animal. Para o candidato, o próximo desafio é fazer com que esse avanço também beneficie o comércio, os serviços e os pequenos produtores. “Como é que você transborda esse crescimento para a melhoria da vida das pessoas?”, questionou.

Entre os problemas provocados pela expansão econômica, Verruck mencionou o aumento da demanda por serviços públicos e infraestrutura social. Ele apontou educação, saúde, habitação e a falta de vagas em creches como obstáculos para que mais pessoas consigam entrar no mercado de trabalho. “Mato Grosso do Sul cresce, continuará crescendo e nós temos que criar exatamente essa infraestrutura social”, afirmou.

A Rota Bioceânica também foi apresentada como uma oportunidade para ampliar os mercados das empresas sul-mato-grossenses. Verruck disse que a ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta está em fase de testes e avaliou que a estrutura completa da rota poderá estar pronta em cerca de um ano a um ano e meio. “Já está acontecendo”, declarou sobre os investimentos ligados ao corredor internacional.

Segundo ele, a nova rota pode aproximar produtores do Estado de mercados asiáticos e estimular investimentos em centros logísticos e estruturas para produtos refrigerados. Verruck destacou que metade das exportações de Mato Grosso do Sul tem a China como destino e que a redução da distância pode favorecer setores como carnes. “É só mudar a seta”, disse ao explicar que cargas produzidas no Estado poderão seguir por uma nova rota até os portos do Pacífico.

Na área ferroviária, o candidato defendeu a integração entre diferentes meios de transporte e classificou a reativação da Malha Oeste como fundamental para o Estado. Ele afirmou que grandes volumes de minério e outros produtos poderiam utilizar os trilhos, reduzindo a pressão sobre as rodovias. “A Malha Oeste é imprescindível”, declarou.

Verruck também afirmou que pretende trabalhar pela retomada dos projetos ferroviários ligados à integração sul-americana. Segundo ele, o Estado precisa utilizar rodovias, ferrovias e outros modais de forma conjunta, em vez de escolher apenas uma alternativa. “Nós temos que realmente integrar isso”, afirmou.

Questionado sobre a situação da rodovia entre Aral Moreira e Coronel Sapucaia, o candidato disse que pretende acompanhar a conclusão do trecho junto ao governo estadual. Ele relacionou a demora a uma possível pendência envolvendo área indígena e afirmou que verificaria a situação específica da obra. “Eu posso me comprometer aqui que com certeza está no plano do nosso governador Eduardo Riedel terminar esse trecho”, disse.

Para a região de fronteira, Verruck defendeu a criação de uma zona especial de desenvolvimento que combine segurança, infraestrutura e geração de empregos. A proposta seria voltada para os municípios situados na faixa de fronteira e buscaria reduzir a dependência econômica das atividades ilegais. “Nós temos que criar uma situação diferenciada”, afirmou.

A ideia também foi citada em resposta a perguntas de moradores de Coronel Sapucaia. Verruck disse que pretende apresentar um projeto nacional com recursos específicos para essas áreas e citou o antigo programa Fomentar Fronteiras, criado durante sua passagem pelo governo estadual. “Nós temos que legislar sobre isso”, afirmou.

Na área de energia, o candidato defendeu investimentos para ampliar a capacidade de transmissão de Mato Grosso do Sul. Ele afirmou que o Estado tem aumentado a produção, mas enfrenta limitações para levar essa energia a outros mercados. “Nós temos que antecipar esses leilões para a gente poder exportar energia”, disse.

Verruck também falou sobre conservação do solo e citou o ProSolo, programa criado durante sua gestão na Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta para Brasília seria ampliar ações de controle da erosão, recuperação da qualidade do solo e retenção de água, com participação do Ministério da Agricultura e outros órgãos federais. “Todo o negócio do agro depende efetivamente de qualidade de solo”, afirmou.

Sobre a industrialização nos municípios produtores, o candidato defendeu uma frente parlamentar voltada à agroindústria. Ele citou Sidrolândia como exemplo de município que já consegue transformar parte da produção de milho em etanol e outros produtos e afirmou que esse modelo pode ser ampliado para outras regiões. “Os municípios só vão se desenvolver se a gente transformar os produtos”, declarou.

Em Aparecida do Taboado, Verruck apontou a necessidade de combinar a expansão da cadeia de celulose com investimentos em turismo e diversificação econômica. Ele destacou a localização do município, a presença do rio Paraná e a existência de diferentes atividades industriais como vantagens para atrair novos negócios. “Aparecida tem todas as condições com propostas claras que a gente consiga avançar em termos de geração de emprego e diversificação da base produtiva”, afirmou.

Na região de Glória de Dourados, o candidato defendeu a recuperação da produção de leite e citou o ProLeite como instrumento para fortalecer a cadeia. O programa prevê ações como melhoria genética dos rebanhos, distribuição de animais e incentivos para aumentar a produção durante o período de menor oferta. “Retomando a produção, a gente vai ter uma reativação dos laticínios”, disse.

Ao falar sobre sua disputa eleitoral, Verruck afirmou que pretende concentrar a campanha na apresentação de sua experiência e de suas propostas, sem transformar os demais candidatos no centro da estratégia. 

Entre as prioridades apresentadas para o mandato, o candidato colocou a saúde pública e a retomada do crescimento econômico brasileiro. Ele disse que pretende defender ações para reduzir juros, melhorar as contas públicas e ampliar a capacidade de atendimento do Sistema Único de Saúde. “A pessoa quer ser atendida”, afirmou ao defender uma atuação federal mais integrada na saúde.

Na parte final da entrevista, Verruck também falou sobre a questão indígena e os conflitos envolvendo terras em Mato Grosso do Sul. Ele defendeu investimentos em cooperativismo, associativismo e produção nas aldeias e afirmou que os conflitos agrários precisam ser resolvidos dentro das regras e com participação do governo federal. “Nós temos que também achar um caminho adequado para isso, que não é o caminho da invasão, não é o caminho do conflito”, declarou.

Assista à entrevista completa com Jaime Verruck:

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