A deputada estadual Lia Nogueira (PSDB), candidata à reeleição, defendeu a ampliação da regionalização da saúde para reduzir o deslocamento de pacientes do interior em busca de atendimento especializado. Em entrevista ao Jornal Ronda do MS nesta quarta-feira (16), ela também tratou de políticas para mulheres, famílias atípicas, agricultura familiar, pedágios e infraestrutura.
Ao longo da conversa, Lia apresentou a experiência como radialista e jornalista e relacionou essa trajetória à atuação parlamentar voltada às demandas de comunidades que considera pouco representadas. A deputada também falou sobre sua origem em Dourados, a maternidade de um jovem autista e a defesa de políticas públicas para os 79 municípios de Mato Grosso do Sul.
“Eu acredito que nós precisamos ter uma reestruturação nesses municípios menores”, afirmou Lia ao defender que cidades do interior tenham estrutura suficiente para resolver casos de menor complexidade. Segundo ela, o objetivo é evitar que pacientes precisem viajar para Dourados ou Campo Grande sempre que necessitarem de atendimento.
Lia citou o Hospital Regional de Dourados como parte do processo de regionalização que já está em andamento. “Além do Estado, nós precisamos que os municípios também abracem essa causa”, disse a parlamentar, que afirmou ter destinado mais de R$ 6 milhões em emendas para a saúde durante o mandato.
A deputada também defendeu maior participação feminina na política e afirmou que Mato Grosso do Sul corre o risco de não ter nenhuma mulher na Assembleia Legislativa na próxima legislatura. “Nós temos que nos unir”, declarou, ao defender que mulheres que chegam a espaços de poder estimulem outras a ocupar funções políticas.
Na área de proteção às mulheres, Lia destacou a necessidade de combater a violência doméstica e ampliar as condições para que vítimas consigam romper relacionamentos abusivos. “Saia desse ciclo de violência e saiba que existem programas hoje no governo, projetos de lei, leis que foram de minha autoria, inclusive, que são um recomeço”, afirmou.
A pauta das famílias atípicas também ocupou parte da entrevista, a partir da experiência pessoal da deputada com o filho autista. Ela afirmou que o aumento dos diagnósticos não significa uma “febre” de autismo, mas maior acesso à identificação do transtorno e defendeu ações contra o preconceito.
“Não, não é que agora virou febre, é que agora nós temos um diagnóstico mais acessível”, afirmou Lia. A deputada citou ainda uma lei de sua autoria que concede 60% de desconto no IPVA para pessoas com deficiência, incluindo casos de síndrome de Down e autismo, além de seus responsáveis legais.
Segundo Lia, mais de 15 mil famílias têm direito ao benefício e um projeto de sua autoria também tramita na Assembleia Legislativa para criar um auxílio mensal destinado a mães atípicas solo. “Nós temos que falar disso sim”, declarou, ao defender políticas voltadas às famílias que enfrentam dificuldades financeiras e sociais relacionadas aos cuidados.
Na área econômica, Lia defendeu políticas públicas que contemplem tanto o agronegócio quanto os pequenos produtores. “Nós também precisamos de política pública para agricultura familiar, então nós precisamos enxergar também os pequenos”, afirmou.
A parlamentar também criticou a polarização política e disse que a disputa entre grupos prejudica a discussão sobre políticas públicas. “Eu não gosto dessa polarização”, declarou, defendendo uma atuação que, segundo ela, consiga atender o agronegócio, a agricultura familiar e comunidades indígenas.
Outro tema abordado foi a cobrança de pedágio na BR-163, especialmente para moradores que precisam circular entre cidades da região sul do Estado. Lia afirmou que a concessão precisa ser reavaliada diante das condições da rodovia e do tempo gasto pelos usuários em trechos que permanecem em obras.
“Essa questão da 163, ela tem que ser revista para ontem”, afirmou a deputada. Ela defendeu a revisão do contrato caso a concessionária não esteja cumprindo as obrigações previstas e disse que a população não se opõe à cobrança, mas espera melhorias proporcionais ao que paga.
Lia também citou discussões realizadas na Assembleia Legislativa sobre a concessão da rodovia e afirmou que a questão precisa envolver governo, Parlamento e sociedade. “Se não está cumprindo com o que foi pactuado, vamos rever, vamos rever”, declarou.
Os temporais que atingiram Campo Grande e municípios do interior também entraram na entrevista. Para Lia, os estragos provocados por chuvas intensas devem levar o poder público a revisar o planejamento urbano, as obras existentes e a forma como as cidades cresceram.
“Você tem que rever o reordenamento dessas cidades, o crescimento de uma forma ordenada, as obras que foram feitas e repensar tudo isso”, afirmou. A deputada também defendeu que gestores façam a manutenção necessária da infraestrutura antes de direcionar recursos para novas obras.
Ao final, Lia explicou a origem do apelido “Bichão do MS”, que recebeu durante a carreira no jornalismo policial. Ela contou que a expressão surgiu depois de anos cobrindo operações policiais na região de fronteira e acabou sendo incorporada à sua identidade política.
“Bichão do MS surgiu no jornalismo policial”, explicou a deputada. Na reta final da entrevista, Lia confirmou a candidatura à reeleição pelo PSDB e apresentou as áreas que pretende priorizar caso conquiste um novo mandato, citando saúde pública, mulheres, famílias atípicas e municípios do interior.
Assista à entrevista completa com Lia Nogueira:

Lia Nogueira no estúdio da Jota FM em Campo GrandeFoto: Mateus Adriano/Jota FM
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