Pedro Kemp defende equiparação salarial de professores contratados em MS

Candidato à reeleição também falou sobre agricultura familiar, comunidades indígenas, estradas, emendas parlamentares, meio ambiente e ações sociais durante entrevista

23 SET 2026Por Redação Jota FM12h37
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O deputado estadual Pedro Kemp (PT), candidato à reeleição, defendeu a equiparação salarial entre professores contratados e efetivos como uma das principais pautas que pretende levar para um próximo mandato. Em entrevista ao jornal Ronda do MS desta quarta-feira (23), ele também falou sobre saúde mental dos profissionais da educação, políticas sociais e valorização do serviço público.

Kemp afirmou que sua atuação na Assembleia Legislativa é concentrada em políticas sociais, educação e garantia de direitos. Ao tratar das demandas regionais, o parlamentar citou situações específicas de Sidrolândia, Caarapó e Coronel Sapucaia, além de defender mais atenção à agricultura familiar, comunidades indígenas e infraestrutura viária.

“A prioridade hoje seria a equiparação salarial dos professores contratados com os professores efetivos do Estado”, afirmou Kemp. Segundo ele, os profissionais contratados representam a maioria dos docentes da rede estadual e recebem remuneração inferior à dos servidores efetivos.

“Hoje, no Mato Grosso do Sul, eles são a maioria, são quase 70%, são 66% de professores contratados, e eles recebem a metade do salário dos professores efetivos”, disse. O deputado defendeu que o governo faça ajustes no orçamento para reduzir a diferença entre as duas categorias.

Kemp também apontou a saúde mental dos professores como uma questão que precisa receber atenção. Ele relacionou o problema à rotina em sala de aula, incluindo situações de indisciplina e dificuldades no relacionamento com os estudantes.

“Não está fácil hoje ser professor em sala de aula e lidar com a indisciplina, com, às vezes, a falta de limites no comportamento dos alunos”, declarou. Para o deputado, é necessário criar condições para que os profissionais possam exercer suas funções sem comprometer a própria saúde.

Outro ponto abordado foi a necessidade de reduzir a burocracia nas escolas estaduais. Kemp disse que pretende defender mais autonomia para professores e equipes escolares desenvolverem suas atividades.

“Vai ser uma pauta que nós pretendemos levar para o próximo ano, além do que a gente tem apresentado algumas reivindicações para o governo do Estado para trabalhar melhor a questão da desburocratização que existe hoje nas escolas”, afirmou. Ele também citou a valorização dos trabalhadores da educação como parte de sua atuação parlamentar.

Na entrevista, o deputado apresentou ainda o programa Cuidar de Quem Cuida, voltado a cuidadores não remunerados de pessoas com deficiência. Kemp atribuiu a iniciativa a um projeto que apresentou na Assembleia e destacou o benefício mensal de R$ 900 previsto pelo programa.

“Eu conheci a realidade de muitas mulheres que tinham um filho com deficiência e tinham que largar o emprego, largar a faculdade para cuidar em tempo integral daquela criança”, disse. Segundo ele, a proposta surgiu a partir do contato com famílias que enfrentavam essa situação.

Kemp também destacou sua atuação relacionada às cotas para pessoas negras na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Ele afirmou que a política ampliou a presença de estudantes negros na instituição e relatou casos de pessoas que, segundo ele, tiveram a trajetória familiar transformada pelo acesso ao ensino superior.

“Quando eu falo que aprovei as cotas para negros na UEMS, eu estou dizendo que muitos alunos que não tinham oportunidades antes de entrar numa faculdade, hoje eles têm essa oportunidade e muitos já se formaram, são profissionais”, afirmou. A legislação que instituiu as cotas raciais na UEMS completa duas décadas, conforme registros da Assembleia Legislativa.

Ao abordar as regiões do Estado, Kemp citou Sidrolândia como município com forte presença de assentamentos e agricultura familiar. Ele defendeu políticas públicas específicas para apoiar pequenos produtores e ampliar a participação deles no fornecimento de alimentos.

“Eu penso que é preciso, inclusive, da parte do governo do Estado, uma política, uma atenção maior para os assentamentos e para a agricultura familiar”, declarou. O deputado diferenciou a produção destinada à exportação daquela voltada ao abastecimento interno e destacou a participação de agricultores familiares na merenda escolar.

Em Caarapó, Kemp apontou demandas relacionadas às comunidades indígenas e às áreas de retomada. Ele citou a aldeia Te'ýikue e afirmou que a comunidade conquistou equipamentos e serviços públicos a partir de sua organização.

“É preciso que o governo também seja parceiro do governo federal nas políticas públicas pra garantir qualidade de vida pra nossa população que vive nas aldeias”, afirmou. Entre as estruturas mencionadas por ele estão escola estadual, laboratório de música, quadra coberta, unidade de saúde e atendimento de assistência social.

Para Coronel Sapucaia, a principal demanda apresentada pelo deputado foi a recuperação da estrada que liga o município a Amambai. Segundo Kemp, o trecho passa por aldeias indígenas e também exige medidas de segurança para quem utiliza a via.

“Lá é preciso que o governo dê uma atenção pra estrada que fica ali entre Coronel Sapucaia e Amambai, a recuperação da estrada”, disse. Ele afirmou que a reivindicação já foi encaminhada ao governo estadual por meio de indicações parlamentares.

As emendas parlamentares também foram citadas como instrumento para atender demandas locais. Kemp afirmou que destinou recursos principalmente para escolas, com aquisição de climatizadores, equipamentos de informática e estrutura para laboratórios.

“Eu tenho feito muitas emendas parlamentares para as escolas, pra compra de laboratórios, laboratório de informática, computadores e climatizadores pras salas de aula”, afirmou. Ele também citou recursos destinados a comunidades indígenas, assentamentos e unidades de saúde.

Na área ambiental, Kemp mencionou projetos relacionados ao Parque Estadual do Prosa e à proteção do Pantanal. Ele afirmou que uma proposta apresentada por ele sobre o cultivo de soja na região não foi aprovada, mas teria contribuído para ampliar o debate sobre regras de proteção do bioma.

“Eu levei a proposta para a ministra Marina Silva que depois pediu para o Conselho Nacional de Meio Ambiente para uma regulamentação desse assunto aqui no Mato Grosso do Sul”, declarou. Kemp também afirmou que participou das discussões que antecederam a elaboração de uma legislação mais ampla sobre a proteção do Pantanal.

O deputado ainda citou outras iniciativas de sua trajetória parlamentar, como a isenção de taxa de inscrição em concursos públicos para pessoas desempregadas. Ele também destacou projetos relacionados aos direitos das pessoas com deficiência, servidores públicos, trabalhadores e combate à violência contra a mulher.

“Eu fiz muitas audiências públicas na Assembleia para discutir violência contra a mulher, discriminação racial”, afirmou. Kemp disse que pretende manter a atuação voltada às políticas sociais caso seja reeleito.

Ao final da entrevista, o parlamentar também falou sobre a disputa eleitoral e afirmou que pretende apresentar aos eleitores o trabalho realizado ao longo dos mandatos. Kemp declarou ainda apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e avaliou positivamente a atuação do governo federal.

“A minha campanha, ela é uma campanha modesta. É uma campanha no corpo a corpo, conversando com as pessoas, falando do meu trabalho”, afirmou. O deputado encerrou defendendo que os eleitores acompanhem sua atuação parlamentar e conheçam os projetos apresentados durante sua trajetória.

Assista à entrevista completa:

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