O candidato a deputado federal Sandro do Vander (PT) afirmou, durante entrevista ao Jornal Ronda do MS nesta quarta-feira (9), que pretende levar para a Câmara dos Deputados a experiência acumulada em mais de duas décadas de trabalho ao lado de Vander Loubet.
Engenheiro civil e advogado, ele apresentou a educação ligada à geração de oportunidades como principal bandeira e defendeu políticas voltadas ao desenvolvimento econômico e social dos municípios. Ao longo da conversa, também abordou segurança nas fronteiras, questão indígena, meio ambiente, logística, turismo e formas de distribuir investimentos de maneira mais equilibrada pelo Estado.
Sandro contou que chegou a Campo Grande aos 14 anos, vindo de uma família de baixa renda, e começou a trabalhar ainda adolescente antes de cursar Engenharia Civil na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
Depois de atuar como professor e na iniciativa privada, passou a trabalhar com Vander Loubet em Brasília, onde acompanhou projetos, emendas e processos ligados à liberação de recursos para Mato Grosso do Sul. Segundo ele, essa trajetória, somada à formação em Direito e à experiência política, sustenta a candidatura para suceder Vander na Câmara enquanto o atual deputado disputa uma vaga no Senado.
“Substituir o Vander seria muito pretensiosismo da minha parte”, afirmou Sandro, ao explicar que prefere falar em sucessão e continuidade do trabalho construído com o deputado. Ele disse que os dois mantêm uma relação baseada em valores semelhantes, mas que pretende imprimir características próprias ao eventual mandato. “Eu quero priorizar, eu quero ter como bandeira principal para mim, como mandatário, a educação, mas educação com oportunidades.”
Para o candidato, formar e qualificar trabalhadores não é suficiente quando não existem empregos capazes de absorver essa mão de obra. Ele afirmou que pretende aproximar educação, qualificação profissional e desenvolvimento econômico para ampliar as chances de permanência dos jovens nas próprias cidades. “Não adianta você formar as pessoas ou qualificá-las se não houver a oportunidade no mercado de trabalho”, disse.
Sandro também falou sobre a relação política com Vander e com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na avaliação dele, a proximidade histórica entre os dois pode contribuir para a atuação em Brasília, mas o candidato afirmou que também precisa apresentar ao eleitor sua própria trajetória. “Eu quero que analisem a minha biografia, a minha história de vida, o que eu fiz e o que eu pretendo fazer”, declarou.
Fronteira e segurança
Ao responder sobre Coronel Sapucaia e outros municípios de fronteira, Sandro defendeu uma mudança na forma de combater o crime organizado. Para ele, além das ações policiais, é necessário identificar a origem e o destino do dinheiro que sustenta atividades como contrabando e tráfico. “Nós precisamos seguir o dinheiro”, afirmou.
O candidato também defendeu mais investimentos em informação e inteligência para as forças de segurança. Para reduzir o envolvimento de moradores com atividades criminosas, ele propôs ampliar a qualificação profissional e criar políticas de desenvolvimento voltadas às regiões de fronteira. “Nós temos que investir em segurança, mas segurança em termos de informação”, disse.
Outra proposta apresentada foi criar critérios diferentes para a concessão de benefícios fiscais. Sandro defendeu que empresas instaladas em regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano tenham incentivos maiores, especialmente quando gerarem empregos para indígenas, quilombolas e pessoas em situação de vulnerabilidade. “Aí sim nós faríamos justiça tributária junto com a justiça social”, afirmou.
Questão indígena
Sobre os conflitos envolvendo indígenas e produtores rurais, Sandro citou a indenização de propriedades em Antônio João como exemplo de uma solução construída por meio de negociação. Segundo ele, a experiência mostra que conflitos envolvendo terras podem ser encaminhados por acordos entre as partes, desde que exista disposição para buscar uma solução. “Tudo na vida pode ser objeto de mediação, de negociação e de composição”, disse.
Ele afirmou ser contrário à perda de propriedades sem indenização e, ao mesmo tempo, defendeu o respeito aos direitos e à cultura dos povos indígenas. Para Sandro, comunidades indígenas também precisam ter acesso a educação, qualificação profissional e oportunidades de trabalho. “Nós temos que respeitar isso”, declarou.
Meio ambiente e desenvolvimento
Questionado sobre o assoreamento do Rio Piravevê, em Ivinhema, o candidato relacionou o problema ao crescimento urbano e à impermeabilização do solo. Ele defendeu que os municípios tenham planejamento específico para a drenagem das águas das chuvas, integrado às políticas de ocupação urbana. “Nós temos que tratar essa questão como se fosse parte de um plano diretor dos municípios”, afirmou.
Sandro citou ainda recursos viabilizados anteriormente por Vander para enfrentar problemas de erosão na região e disse que pretende ampliar esse tipo de atuação caso seja eleito. Como engenheiro civil, afirmou que pretende tratar a preservação dos rios e das áreas ambientais como uma das prioridades do mandato. “Já passou da hora”, declarou.
Desenvolvimento regional
Para Selvíria, o candidato defendeu um planejamento econômico que aproveite a proximidade com grandes empreendimentos do chamado Vale da Celulose. A ideia, segundo ele, é atrair para municípios menores empresas que forneçam produtos e serviços para as grandes indústrias instaladas na região. “O que falta, de fato, eventualmente, é um plano de desenvolvimento econômico setorizado para o Mato Grosso do Sul”, afirmou.
Em Deodápolis, Sandro propôs relacionar a qualificação profissional às atividades econômicas já existentes na região. Ele citou setores como produção de leite, avicultura e sericicultura e defendeu a integração entre União, Estado e municípios para criar empregos e evitar que os jovens precisem deixar suas cidades. “É importante que façamos esse levantamento para que nós tenhamos um mapeamento dessas atividades”, disse.
O candidato também tratou do desenvolvimento de Aparecida do Taboado e criticou o impacto que os pedágios podem ter sobre pequenos produtores que precisam transportar mercadorias. Ele defendeu uma análise diferenciada para evitar que os custos de transporte prejudiquem quem produz em pequena escala. “Nós precisamos fazer uma análise mais detida de cada caso”, afirmou.
Na área do turismo, Sandro avaliou que Aparecida do Taboado tem potencial por causa das belezas naturais e da localização próxima a grandes centros consumidores. Para aproveitar esse potencial, porém, ele defendeu investimentos em qualificação profissional, estrutura de recepção e ensino de idiomas para jovens. “Nós precisamos investir em receptivos, nós precisamos investir em jovens pra formá-los em línguas”, disse.
Ribas do Rio Pardo
Ao encerrar a entrevista, Sandro usou o crescimento de Ribas do Rio Pardo como exemplo do que considera um problema na distribuição dos benefícios de grandes investimentos. Ele criticou a contratação de trabalhadores e empresas de fora durante a instalação da fábrica da Suzano e afirmou que a população local precisa participar diretamente dos resultados econômicos. “Nós precisamos de educação com oportunidades”, reforçou.
Para o candidato, a atração de grandes empresas precisa vir acompanhada de políticas de qualificação, emprego e investimento social. Ele defendeu que os benefícios tributários concedidos aos empreendimentos também considerem as condições econômicas da população que vive nos municípios. “Nós temos que ter um olhar de justiça tributária com justiça social, com educação, com qualificação pra todos, pra que todos tenham oportunidade”, concluiu.
Assista à entrevista completa com Sandro do Vander:

Sandro do Vander (PT) em entrevista à Jota FMFoto: Mateus Adriano/Jota FM
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