Grupo morto em Sidrolândia está ligado a ataques em quatro cidades de MS

Segundo o Batalhão de Choque, suspeitos mudavam de cidade após os ataques e usavam imóveis alugados para se esconder das forças policiais

10 OUT 2026Por Mateus Adriano17h47
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Os quatro suspeitos que morreram em confronto com a polícia em Sidrolândia foram identificados como Jonas (19) , Vanessa (19), Miguel (17) e outro adolescente de 16 anos. Segundo o major Cleyton, do Batalhão de Choque da Polícia Militar, o grupo é suspeito de envolvimento em ataques em Cassilândia, Maracaju, Sidrolândia e Campo Grande.

Em entrevista coletiva neste sábado (10), em Campo Grande, o oficial afirmou que os integrantes mudavam de município e alugavam imóveis para se esconder após as ações.

De acordo com o major, a movimentação entre as cidades estava ligada à disputa territorial pelo tráfico de drogas e dificultava o monitoramento dos suspeitos.

O Batalhão de Choque foi enviado a Sidrolândia no âmbito da Operação Protetor, do Ministério da Justiça, para apoiar a Polícia Militar local. A equipe foi até o endereço onde Jonas e Miguel poderiam estar, com o objetivo de cumprir um mandado de prisão e um mandado de busca e apreensão.

“Eles realizavam o atentado naquele tipo de localidade, como foi em Maracaju, como foi em Sidrolândia, como foi em Campo Grande, como foi em Cassilândia, e iam migrando de uma cidade para outra”, afirmou Cleyton.

Segundo ele, os integrantes alugavam casas nas cidades escolhidas para as ações e permaneciam nos imóveis após os ataques. A estratégia, conforme o oficial, dificultava o acompanhamento pelas equipes policiais.

Vanessa, segundo o major, era responsável pela logística do grupo, incluindo a obtenção de armas e a locação de imóveis utilizados como esconderijos. O oficial afirmou que ela organizava a estrutura para receber os demais integrantes depois dos ataques e também portava uma pistola durante o confronto.

“A Vanessa era responsável pela logística, era responsável pelo suporte, inclusive a casa onde estava era dela”, declarou. Segundo o major, a presença de Vanessa passava maior credibilidade no momento do aluguel dos imóveis.

Miguel, um dos adolescentes mortos, era investigado por suspeita de participação em dois homicídios, segundo Cleyton. Um dos casos ocorreu em Cassilândia, enquanto o outro foi registrado em 2 de agosto, no bairro Nova Lima, em Campo Grande.

O major também apontou Miguel e Jonas como suspeitos de envolvimento no incêndio de uma casa onde vivia uma família com sete crianças, que teria perdido roupas, móveis e outros pertences.

Major relata troca de tiros dentro da residência

Segundo a versão apresentada pelo Batalhão de Choque, um homem armado estava no quintal da casa e apontou a arma para os policiais durante a abordagem. Cleyton afirmou que, após os primeiros disparos, a equipe avançou pelo imóvel e encontrou outros três homens armados, que também teriam atirado contra os agentes. De acordo com o oficial, ao menos sete disparos atingiram o escudo balístico utilizado pela equipe durante a entrada nos cômodos.

O major disse que os policiais deram ordens para que os suspeitos se rendessem, mas os disparos continuaram durante a progressão pelo imóvel. Após a entrada em todos os cômodos, os agentes desarmaram os quatro suspeitos e constataram que ainda apresentavam sinais vitais. Eles foram socorridos e levados ao hospital de Sidrolândia, mas morreram em decorrência dos ferimentos.

Durante a ocorrência, foram apreendidas quatro armas de fogo: duas de calibre .32, uma de calibre .38 e uma pistola. Segundo Cleyton, a pistola estava com Vanessa, e o escudo balístico da equipe foi atingido por pelo menos sete disparos. Nenhum policial ficou ferido na ação.

Vínculo com facção ainda é investigado

Questionado sobre uma possível ligação dos suspeitos com o Comando Vermelho, o major afirmou que o Batalhão de Choque não tinha confirmação sobre a filiação dos quatro a uma facção criminosa. Ele disse que a apuração sobre possíveis vínculos com organizações criminosas é responsabilidade da Polícia Civil, com atuação de unidades especializadas, como o Gaeco. Cleyton, no entanto, relacionou a atuação atribuída ao grupo à disputa por rotas usadas no tráfico de drogas, armas e contrabando.

O oficial citou, além dos municípios onde teriam ocorrido os ataques, cidades como Coxim e Sonora entre os pontos considerados estratégicos para o deslocamento de cargas ilícitas. Segundo ele, Mato Grosso do Sul ocupa uma posição importante nessas rotas, o que aumenta a disputa territorial entre grupos criminosos. A investigação sobre os ataques e a participação dos suspeitos nos crimes mencionados segue sob responsabilidade da Polícia Civil.

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